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Instalação ‘Moda Ocupação Outro Olhares’, criada pelo fotógrafo e artista plástico, Felipe Morozini, para SPFW Agência Fotosite

Intervenção artística mistura fotos da SPFW com paisagem urbana

Painéis com imagens do acervo de 25 anos da semana de moda foram fixados com a técnica lambe-lambe em ruas e avenidas de São Paulo

Gabriela Marçal, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2020 | 05h00

O fotógrafo e artista plástico Felipe Morozini imergiu no acervo de 500 mil fotos e vídeos da Semana de Moda de São Paulo (SPFW) com a missão de escolher registros que mostrassem a transversalidade da moda em diversas áreas criativas – design, maquiagem, cenografia, entre outras. O resultado desse mergulho em 25 anos de história é a intervenção artística Moda Ocupação Outros Olhares, composta por dez imagens feitas a partir de colagem digital.

Os painéis de dez metros de largura por dois de altura foram fixados com a técnica lambe-lambe e se incorporam à paisagem da capital paulista em ruas e avenidas, como a Augusta, Consolação, Vergueiro, Liberdade e Rebouças. “Eles estão dialogando com outros artistas da cidade nessa escala grandiosa”, disse Morozini.

Mais uma vez, esta edição da semana de moda vai para o espaço público durante a pandemia do novo coronavírus. “Não é um convite para as pessoas virem para a rua, mas é uma maneira de integrar a arte na rotina daqueles que não têm o privilégio de ficar em casa”, afirma o fotógrafo. Fazem parte das obras QR Codes que dão acesso à transmissão digital.

Outro tema latente da entrada do evento para a fase adulta é a diversidade. Tanto que nesta edição começou a vigorar a cota que obriga que 50% dos modelos das apresentações devem ser afrodescendentes, indígenas ou asiáticos. É possível perceber como as preocupações com a equidade racial e de gênero permearam a concepção dessa intervenção. Assim como Paulo Borges, fundador e diretor criativo da SPFW, Felipe Morozini faz questão de dialogar sobre esses assuntos. “Anos atrás não se falava dos assuntos que se fala hoje. Ver um painel que chama Transformar, com oito modelos trans, é de um poder tão grande, ver essas pessoas enormes na rua”, disse o artista plástico.

Para Felipe, mais do que ter a intenção de abordar questões que podem ter sido historicamente negligenciadas, existe a procura por reparação. “Se alguma injustiça foi feita no passado por alguma marca ou por algum estilista, se alguém ficou escondido, agora um artista tenta colocar todos em um lugar que é a rua”, afirma, sobre a iniciativa. “É muito honesto. É emocionante.”

Comemoração de 25 anos

A organização da semana de moda mais importante da América Latina escolheu celebrar a “força do verbo” neste aniversário. Seguindo essa temática, as instalações fotográficas chamam-se Construir, Transformar, Conectar, Ocupar, Provocar, Inspirar, Reconhecer, Criar, Acreditar e Manifestar

 

Programação da SPFW nesta sexta, 6

Em desfile-filme, a Handred apresenta na SPFW nesta sexta, 6, às 20h30, coleção inspirada em Copacabana, bairro que abriga o ateliê da grife. As peças atemporais são confeccionadas em tecidos como seda e linho. 


Juliana Jabour exibe a coleção Verão 21 às 19h30. A estilista volta à semana de moda da capital paulista com apoio da marca de bonés New Era, que faz cem anos em 2020. Vêm daí as referências ao esporte.

Programe-se:

  • 14h - Lucas Leão
  • 15h - Led
  • 16h - Misci
  • 18h - Renata Buzzo
  • 19h30 - Juliana Jabour
  • 20h30 - Handred
  • 21h30 - João Pimenta

 

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SPFW começa edição histórica de 25 anos e institui cota racial

Em meio à pandemia, evento adota formato totalmente virtual e obrigatoriedade de 50% dos modelos serem afrodescendentes, indígenas ou asiáticos

Gabriela Marçal, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2020 | 05h00

É grande a responsabilidade da São Paulo Fashion Week (SPFW) que começa hoje (4). Após o novo coronavírus causar o cancelamento da temporada, que costuma ocorrer em abril, ficou para esta edição o papel de celebrar os 25 anos da semana de moda. A pandemia ainda desafiou o evento, que segue até domingo, 8, a adotar pela primeira vez o formato totalmente virtual com transmissão dos desfiles nas redes sociais. Entretanto, a expectativa subiu depois que a organização instituiu de maneira pioneira uma cota racial. 

A partir desta temporada, 50% dos modelos de cada apresentação devem ser afrodescendentes, indígenas ou asiáticos, com parentesco até segundo grau. 

Apesar de ser uma decisão histórica, a organização escolheu implementá-la sem grandes anúncios. A regra foi incluída no “manual de convívio coletivo”, como chama Paulo Borges, fundador e diretor criativo da SPFW. O documento é enviado antes de cada edição para as marcas participantes. 

No entanto, a novidade rapidamente se tornou assunto. A modelo Camila Simões destaca que a semana de moda é o primeiro espaço que um modelo brasileiro precisa conquistar. É o evento na capital paulista que define se um iniciante deve ou não voltar para a cidade natal. 

“É preciso lembrar que os 50% não é um benefício, é um direito conquistado”, afirma Camila. Ela, Natasha Soares e Thayná Santos, que participam do coletivo Pretos na Moda, foram decisivas para essa mudança se concretizar. As três modelos “invadiram” uma live de Paulo Borges, em 6 de junho, e cobraram um posicionamento da semana de moda mais importante da América Latina. Paulo Borges reconheceu que era hora de conversar e dar espaço para a “corajosa iniciativa”, como ele define. “O nosso papel é criar condições, mas o protagonismo é de todos os corpos criativos racializados.”

Ao falar sobre as funções nessa indústria, vale explicar que cada marca é responsável pela contratação das modelos. Aliás, o movimento Pretos na Moda também já confrontou os estilistas. Isso aconteceu quando as grifes se engajaram na hashtag Blackout Tuesday, em meio ao movimento Black Lives Matter, e postaram imagens pretas. “Surgiu uma revolta. Se nós não falássemos, iriam usar a causa de forma oportunista”, conta Camila. Segundo ela, foi nessa ocasião que a modelo Thayná relatou ter sofrido racismo em trabalhos para duas grifes: Reinaldo Lourenço (que não participará desta temporada e, na época, declarou ao jornal O Globo “errei e não tenho problema em admitir isso”) e Gloria Coelho, que tem apresentação marcada para domingo, 8. 

“Acho que todas as empresas eram racistas, nós temos que melhorar. Éramos racistas estruturais”, disse Gloria, que disse ter achado as cotas “uma iniciativa muito positiva”. “Neste desfile digital, tenho três mulheres: uma afrodescendente, uma branca e uma oriental.” 

A SPFW encara o racismo de maneira mais contundente em 2020, mas a semana de moda recomenda há mais de dez anos que as marcas participantes contratem pelo menos 20% de modelos afrodescendentes, indígenas e asiáticos. Entretanto, em 2009, o evento firmou um termo de ajustamento de conduta (TAC), que vigorou até 2011, com o Ministério Público do Estado de São Paulo, para que 10% dos profissionais nas passarelas fossem dessas raças.

 

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Desfile digital mostra coleção inspirada em guarda-roupa cápsula

Marca Korshi 01 exibiu na SPFW vídeo que simulava os bastidores e fila vip da passarela de uma semana de moda

Gabriela Marçal, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2020 | 00h00

A grife Korshi 01, especialista em roupas multifuncionais, exibiu nesta quinta-feira, 5, na São Paulo Fashion Week (SPFW), um vídeo que simulava os bastidores e a primeira fila de espectadores de um desfile de moda. “É como as pessoas imaginam um backstage. Para sentirem que têm o acesso”, explicou o estilista Pedro Korshi.

Em contraposição a essa atitude encantada com a indústria do vestuário, a coleção composta por dez peças foi inspirada no conceito minimalista de “guarda-roupa cápsula”. “Acreditamos que é o suficiente para ser o guarda-roupa de uma pessoa.”

Para garantir a versatilidade, as peças tinham muitos botões e amarrações. A blusa virava saia, a calça se transformava em shorts, o biquíni assumia a função de máscara facial. Nos pés, chinelos Tradi Zori, criados pelas Havaianas com inspiração na tradição japonesa.

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