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Grife comemora 160 anos com coleção especial

Em entrevista ao 'Estado', Delphine Arnault fala sobre as comemorações da Louis Vuitton, que inaugura fundação

Entrevista com

Lilian Pacce, Especial O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2014 | 02h06

Um kit-chic de luta de boxe para Anderson Silva nenhum botar defeito, um baú que é uma verdadeira penteadeira dos sonhos, uma mala com salto alto - essas são algumas peças de edição limitadíssima da coleção Celebrating Monogram, que faz parte das comemorações de 160 anos da Louis Vuitton.

A marca francesa, âncora do maior grupo de luxo do mundo, o LVMH, está animada com o aniversário, como se aproveitasse a ocasião para estabelecer uma nova era em sua história centenária, fortemente ligada às iniciais de seu fundador que criou o monograma LV. Março marcou a estreia do novo diretor criativo Nicolas Ghesquière (substituindo Marc Jacobs) no prêt-à-porter; em maio, o primeiro desfile da coleção resort em Mônaco. E, há duas semanas, o grande feito: a Fundação Louis Vuitton - menina dos olhos do CEO Bernard Arnault, com projeto do arquiteto americano Frank Gehry.

A ideia surgiu há mais de 20 anos e Arnault se empenhou pessoalmente na sua realização, que conta inclusive com obras de sua coleção particular. Instalado no Bois de Boulogne, em Paris, o espaço reúne arte, música, moda e pretende se estabelecer como importante polo cultural que, dentro de 55 anos, será de domínio público.

A arquitetura de Gehry une preceitos da mais alta tecnologia a pilares de sustentabilidade, que incluem o sistema de refrigeração e aquecimento até a reutilização da água da chuva. Comissionadas especialmente para o local, há obras de Olafur Eliasson, Ellsworth Kelly, Adrián Villar Rojas, entre outras, que dialogam com Giacometti, Nam June Paik, Ed Atkins, Maurizio Cattelan ou Gerhard Richter.

Já para a Celebrating Monogram, a vice-presidente da marca Delphine Arnault (filha de Bernard) escolheu a dedo seus colaboradores, do próprio Gehry ao sapateiro Christian Louboutin. As peças já estão disponíveis em lojas do mundo todo, algumas com valor equivalente às mais badaladas obras de arte contemporânea como o Baú Boxeador, de Karl Lagerfeld, ou o Ateliê Dentro de um Baú, de Cindy Sherman: R$ 415 mil. Sobre isso, ela falou ao Estado por e-mail.

A Vuitton celebra 160 anos. Como a data está sendo comemorada?

Prestamos uma homenagem ao monograma com um projeto especial: Celebrating Monogram. Trata-se de uma série de trabalhos que representam de maneira extraordinária e individual algo que todos nós conhecemos. Seis iconoclastas criativos, os melhores de suas áreas, que confundem os limites entre moda, arte, arquitetura e design de produto, ganharam carta branca para ditar e fazer o que quisessem com o canvas estampado com o LV: o designer de sapatos Christian Louboutin, a artista Cindy Sherman, o arquiteto Frank Gehry, o designer Marc Newson e os estilistas Karl Lagerfeld e Rei Kawakubo.

Qual é o "elemento mágico" que faz do logo LV um ícone tão importante?

O Monogram é o símbolo atemporal da maison Louis Vuitton. Ele passou pelas incontáveis evoluções da marca, se reinventando sem jamais perder sua essência. Além disso, é um dos primeiros exercícios de branding de luxo e também um signo definitivo da cultura global. Sendo o principal legado do sucesso da grife, prestar uma homenagem a ele foi algo natural.

A Vuitton fez uma coleção com iconoclastas em 1996, quando estava em busca de uma nova estratégia, e isso está sendo feito novamente agora. É o começo de uma nova estratégia?

Em 1996, quando a Louis Vuitton celebrou o 100° aniversário do canvas Monogram, os designers convidados eram intencionalmente parte do mundo da moda: Azzedine Alaïa, Manolo Blahnik, Romeo Gigli, Helmut Lang, Isaac Mizrahi, Sybilla e Vivienne Westwood. Agora, para coleção Celebrating Monogram, a decisão foi escolher grandes artistas com diferentes experiências artísticas, alinhados ao posicionamento multidisciplinar da marca. Já a Celebrating Monogram faz parte de um esforço contínuo, não é uma guinada na estratégia. Afinal, a Louis Vuitton sempre inovou e evoluiu no design de seus produtos, oferecendo constantemente aos clientes itens cada vez mais exclusivos e personalizados. E isso é a força da marca: nunca parar de reinventar suas coleções, muitas vezes tirando inspiração do próprio passado da Vuitton. Foi o que aconteceu quando Nicolas Ghesquière revisitou os icônicos itens da marca feitos em couro natural, usados desde 1860, e decorou os acessórios do desfile com o Monogram. E é exatamente o que acontece quando artistas de domínios diferentes reinterpretam o canvas Monogram, cada um à sua maneira.

Qual foi o critério para chegar aos nomes convidados?

É um grupo de gênios, artistas extraordinários. Eu poderia até dizer que são os melhores designers do mundo. Nós nos interessamos por pessoas que trabalham com a cabeça e com as mãos. E uma prova da influência deles é que todos já colaboraram com o grupo LVMH: Karl Lagerfeld faz Fendi, Frank Gehry assina o projeto da Fundação Louis Vuitton, Rei Kawakubo criou uma coleção em 2008... Queríamos respeitar o gênio criativo e a imaginação de cada um deles. Por isso, demos carta branca a todos para criar uma bolsa ou um item de bagagem. A única obrigação que tinham era usar o reconhecido canvas Monogram.

O que cada um trouxe de mais interessante? Conte um pouco sobre o processo.

Foram muitas trocas entre a Maison e eles, dezenas de reuniões com os designers. Eles vieram até a Louis Vuitton e, em contrapartida, descobrimos o universo de cada um, dando-lhes mais liberdade e permitindo incontáveis possibilidades criativas. Cada um trabalhou de maneira diferente. O Karl nos apresentou seus primeiros esboços, já Frank Gehry trouxe modelos de papel que se aproximavam do projeto final...

Qual é a peça mais cara?

Infelizmente não podemos revelar todos os aspectos do projeto. Tudo o que posso dizer é que os preços variam de acordo com o modelo, e eles dialogam com cada um dos nossos clientes tão diversos. Mas é claro que os itens mais caros são o Ateliê dentro de um Baú da Cindy Sherman e o Baú Boxeador do Karl Lagerfeld. Esses produtos serão parte de uma coleção de edições limitadas e, comparados aos números habituais de produção da Louis Vuitton, terão uma quantidade significativamente menor, o que faz de cada bolsa e acessório um item único e exclusivo. Essa coleção também contará com duas peças feitas sob encomenda, ambas muito exclusivas e em edição limitada: os baús de Cindy Sherman e Karl Lagerfeld, em tiragem de 25 peças numeradas.

Qual é a proposta da Fundação Louis Vuitton?

A Fundação vai apoiar artistas e incentivar a criatividade por meio de projetos sob medida, aquisições, exposições e outras atividades multidisciplinares. Pretendemos fazer da Fundação um hub para palestras e debates, atraindo estudantes de arte e design para um programa educativo destinado ao acesso privado de jovens à arte e cultura. A Fundação prestará um tributo à criação e à criatividade em todas as suas formas.

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