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REUTERS/Remo Casilli
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Ferrari entra no campo da moda de luxo visando uma geração mais jovem

A montagem dos carros V12 foi suspensa e a montadora, com 74 anos de existência, faz um desfile entrando numa nova era como marca de moda de luxo

Colleen Barry, AP

15 de junho de 2021 | 10h00

MARANELLO, ITÁLIA – Os carros Ferrari V12 tiveram sua produção suspensa na fábrica da montadora, que tem 74 anos de existência, se lançando numa nova era como marca de roupas de luxo com um desfile na passarela improvisada no meio da linha de montagem dos V12 mostrando sua primeira coleção de moda prêt-à-porter destinada a uma geração mais jovem que pode desconhecer seu pedigree na Fórmula 1 e os seus cobiçados carros.



Os modelos apresentados e a suspensão da sua linha de montagem foram um gesto simbólico para destacar a interrelação criativa entre a longa linha de carrocerias curvas, brilhantes e a nova linha de roupas desenhada pelo diretor de criação Rocco Iannone, robusta na sua estrutura externa contrastando com a impressão brilhante fluida do vermelho da Ferrari, o amarelo Scuderia e o azul elétrico.

A coleção de Iannone pode facilmente ter uma base estreita de clientes leais – a maior parte consumidores maduros que fazem parte de uma lista de espera para adquirir um dos quase 10 mil carros de luxo produzidos anualmente, cujo preço começa em 200 mil dólares.

Mas o fato é que ele foi mais ousado, a começar com as gabardines, as calças bomber e parcas sofisticadamente modeladas para darem a impressão de uma concha, levando o logo famoso do cavalo preto empinado e incluindo toques de borracha nos bolsos e mangas para lembrar a herança automotiva.

“A geração jovem tem o poder de expressar a energia e o poder de uma marca”, disse Iannone. O designer de 35 anos foi diretor criativo da Pal Zileri depois de passar mais de uma década trabalhando com Giorgio Armani e um período com Dolce & Gabbana.

Os casacos eram complementados por roupas de dia, incluindo saias de seda midi em novas impressões com colagens de carros de corrida clássicos e o logo da Ferrari. A sensação jovem de streetwear tem um ar sofisticado com a marca Ferrari nas camisetas, complementada por amplos shorts com faixas refletivas ou calças esportivas folgadas e justas no tornozelo.

Os sapatos incluíram mocassins stilletto em aço com solas de borracha para mulheres ou sandálias de caminhada com flashes de cores e um tênis feito em colaboração com a Puma para os homens. Entre os acessórios, brincos de cristal na forma do Cavalo Empinado, cintos com a marca Ferrari e óculos de sol futuristas da Ray Ban.

A coleção será lançada em três etapas este ano, com 80% dela sem distinção de gênero e disponível numa série de tamanhos que vão de tamanhos muito pequenos aos muito grandes.



A coleção mostrada no desfile faz parte de um projeto de diversificação da marca que deve contribuir em até 10% para os resultados finais da Ferrari dentro de uma década, afirmou o diretor de diversificação de marcas, Nicola Boari. O projeto abrange também vendas no varejo, licenciamentos que vêm sendo revisados desde 2019, e entretenimento, incluindo parques temáticos da Ferrari em Barcelona e Dubai e um novo empreendimento no campo dos esportes, e experiências de luxo para proprietários de uma Ferrari.

Apesar de a Ferrari ser uma das mais reconhecidas marcas no mundo, Boari disse que não está absolutamente certo que as gerações mais jovens têm o mesmo conhecimento e a mesma paixão dos seus pais.

Ele passou seu primeiro ano no posto cortando 50% dos produtos licenciados, a maior parte destinados aos fãs de Fórmula 1, que não podem pagar pelo luxo da Ferrari. Mas disse que a chave é equilibrar a exclusividade com medidas visando uma maior inclusão chegando a uma geração que, no momento, não está interessada nos carros da Ferrari.

“Já perguntaram se não tememos nos tornar acessíveis demais. Acho que o risco é de que, se não o fizermos, vamos nos tornar irrelevantes e não conhecidos”, disse Boari. 

Junto com a coleção, a Ferrari anunciou uma loja de referência remodelada onde essa primeira coleção estará disponível, e a reabertura do seu histórico restaurante Cavallino sob a tutela do chefe premiado com três estrelas do Michelin Massimo Bottura, ambos na fábrica. Novas lojas estão planejadas para este ano em Milão, Roma, Los Angeles e Miami.

“A Ferrari quer promover a excelência italiana e o melhor da criatividade do nosso país”, disse o chairman da Ferrari, John Elkann, que participou do evento. “O show de moda hoje em nossa fábrica e a abertura da loja Ferrari e do restaurante Cavallino em Maranello são sinais de uma Itália forte e otimista, pronta para crescer e se renovar”.


Tradução de Terezinha Martino 

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