Mike Blake/Reuters
Mike Blake/Reuters

Entrando no clima(tério)

Se você já passou dos 40 anos, a chance de sua irritação, seu ganho de peso e sua falta de sono serem provocados pela queda de hormônios, e não pela pandemia, é grande – a boa notícia é que há solução

Renata Piza, Moda

27 de março de 2022 | 06h00

Cansaço crônico, crises de ansiedade e humores oscilantes, que podem contemplar choros súbitos ou uma postura antissocial, não são apenas sintomas típicos da adolescência. Espécie de viagem no tempo, só que ao contrário, os anos que antecedem a menopausa podem mexer com o bem-estar físico e mental das mulheres da mesma maneira que a puberdade. E não é difícil entender o porquê: em ambos os casos, a culpa é dos hormônios. “A cada dez mulheres, 11 vão pensar ‘meu Deus, o que está acontecendo comigo?’.

É o climatério”, brinca a ginecologista Maria da Penha Barbato. “É um dos períodos mais importantes da vida de uma mulher e prestar atenção nele faz com que a entrada na menopausa não seja dramática, porque a menstruação até pode parecer que acaba de uma hora para outra, mas as mudanças hormonais começam a acontecer 5, 6, 7 anos antes.” 

E dão sinais. Além do desequilíbrio emocional e dos fogachos, que apesar da fama não atingem todas as mulheres, dificuldade para dormir, queda de cabelo, espinhas e aumento de peso, com deslocamento da gordura para a região do abdome, podem ser efeitos colaterais visíveis da baixa hormonal.  

Mas muita calma nessa hora. Se até aqui o enredo parece desolador, é preciso ter duas coisas em mente: toda mulher vai entrar na menopausa; a menopausa não precisa ser ruim. “Não tem problema nenhum estar na menopausa, o problema é não tratar os sintomas dela e começar a achar que você não tem mais valor, que a vida não tem mais sentido, que é preciso se separar do marido ou abrir mão da sexualidade.” 

Uma das alternativas para atravessar as transformações sem tantas turbulências é a outrora controversa terapia de reposição hormonal. Condenada nos anos 2000, ela evoluiu e hoje pode ser indicada por médicos em baixíssimas doses, muitas vezes manipuladas. “Às vezes, entramos com 0,2 miligrama e já faz diferença”, afirma Barbato. “O importante é que o estrogênio seja transdérmico para não estressar o fígado e bioidêntico para se encaixar perfeitamente no receptor.” 

E o mais importante, segundo ela: que comece na hora certa. “Não adianta fazer reposição hormonal 7, 8, 10 anos depois que você entrou na menopausa, você não vai começar a repor estrogênio aos 60 anos, quando a mulher já perdeu o colágeno, já está com as artérias comprometidas, e os custos serão maiores do que os benefícios.”  

PEQUENAS MUDANÇAS, GRANDES NEGÓCIOS 

Repor estrogênio, para sorte de todas as mulheres, não é a única alternativa. Outras opções para não deixar que um processo natural da vida se transforme no pior momento dela englobam suplementação e aquilo que todo mundo já sabe: exercícios físicos e alimentação saudável.  

“Não existe receita de bolo, porque estamos falando de seres humanos com necessidades únicas, mas diria que no climatério e na menopausa a mulher deveria ingerir o máximo possível de frutas, legumes e verduras, especialmente orgânicos, que têm mais antioxidantes, evitar o álcool, que é um oxidante natural, e fazer exercício todos os dias, entre caminhadas e aeróbicos”, sugere a nutricionista Danielle Fontes de Almeida.  

Checar como andam as vitaminas e sais minerais em exames clínicos e na anamnese no consultório também é atitude simples com efeito grande na qualidade de vida. “O magnésio ajuda na fixação do cálcio e previne a osteoporose; o zinco é cofator de diversos processos enzimáticos; e a soja, por exemplo, é rica em isoflavona, que se encaixa nos nossos receptores hormonais e pode ter uma ação muito boa em algumas mulheres.”

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