Christophe Archambault/AFP
Christophe Archambault/AFP

Egonlab, uma marca de moda com um pé no mundo real e outro no virtual

Empresa apresentou seus trabalhos em um desfile com ares góticos no Oratório do Louvre, em Paris. As roupas são unissex, as saias são as mesmas para homens e mulheres, os casacos são oversized

Olga Nedbaeva, AFP

22 de janeiro de 2022 | 11h43

A Egonlab é uma marca francesa que desfilou pela primeira vez na terça-feira, 18, na Semana de Moda Masculina de Paris e que faz versões de seus produtos também para o mundo virtual, esse metaverso que desperta tanta intriga e expectativa no setor.

Dois jovens franceses, Florentin Glémarec e Kévin Nompeix, são os fundadores da Egonlab. “Criamos passarelas no passado e vamos criar passarelas no futuro, com uma comunidade (de gente muito jovem) que não se conhecia”, explica Kévin Nompeix em entrevista à AFP.

A Egonlab iniciou sua jornada há apenas dois anos e causou sensação com uma série de apresentações virtuais. “Usamos as redes sociais para nos diferenciarmos dos outros”, explica seu cofundador à AFP.

Mas não só as redes. O outro fundador da marca, Florentin Glémarec, também na casa dos 20 anos, recorreu aos avós bretões, ambos octogenários, para promover as roupas da Egonlab.

Na juventude, o avô era marinheiro e a avó entregava jornais. Nem tímidos, nem preguiçosos, ambos se vestiram de Egonlab para dar uma mãozinha ao neto. Suas poses na conta do Instagram da marca divertiram os fãs.

“Eles nos ajudaram desde o início, vinham ao ateliê para experimentar as roupas. Tudo começou com uma brincadeira do avô: ‘Eu também quero ser modelo’”, lembra Florentin Glémarec.

“Encontramos fotos dos dois, jovens, punks, muito Egonlab. Agora não conseguimos imaginar o DNA da marca sem eles”, explica o jovem criador.

Ex-modelo, Florentin Glémarec desfila para a AFP em um casaco preto de ombreiras largas. Um corte “estruturado e dinâmico”, explica.

Em seguida, apresenta uma criação à base de mohair que simula um casaco de pele, sobre uma camisa branca e azul com motivos esotéricos.

As roupas são unissex, as saias são as mesmas para homens e mulheres, os casacos são oversized.

“É necessário para dar credibilidade à coleção. Não pode ser só uma coisa masculina ou feminina”, diz Kévin Nompeix. “Gênero, sexualidade, aceitação de todos é algo em que acreditamos totalmente”, explica ele.

A Egonlab apresentou seus trabalhos em um desfile com ares góticos no Oratório do Louvre, em Paris.

As modelos desfilaram entre velas, vestidos com roupas pretas.

“É uma consagração. Todas as marcas querem desfilar, e conseguir entrar no calendário oficial foi super importante para nós”, declarou Florentin Glémarec.

“As pessoas querem voltar ao físico, a moda é uma arte que se vive, não apenas uma arte que se contempla. É preciso sentir o movimento das roupas, a densidade do tecido”, destaca Kévin Nompeix.

“A tela é uma boa alternativa, mas as pessoas precisam viver esse momento (físico) durante a pandemia para não ficarem o tempo todo naquela bolha virtual”, acrescentou.

Outra colaboração que desperta curiosidade é a transformação do Crocs, marca de calçados de plástico que foi criada vinte anos atrás.

Até então usado por enfermeiros ou para ir à praia, o Crocs acabou se tornando um acessório de moda irrevogável, que apareceu tanto no tapete vermelho quanto em um desfile da Balenciaga (em 2018).

A Egonlab os apresentou virtualmente, com projeções nas balaustradas do Oratório, “sublimadas com cristais Swarovski para mostrar que são um tesouro nacional”, explicou Kévin Nompeix. “É uma piscadela para homenagear os profissionais de saúde” em tempos de pandemia.

Cinco modelos de Crocs virtuais serão vendidos em leilão no metaverso, e parte dos lucros irá para associações que facilitam o acesso ao mundo digital para populações menos favorecidas. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

 

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