Juliana Azevedo
Juliana Azevedo

Diferenças positivas

Sua realidade já tinha sido aceitar e viver dentro dessa regra das bolhas, mas foi rompida por uma curiosidade inata pelo outro, pelas tais desigualdades irremediáveis

Alice Ferraz, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2021 | 05h00

Uma semana em que a frase “sou diferente” foi dita a ela e repetida à exaustão como se “o mundo” novamente estivesse testando sua compreensão e tentasse deixar clara a distinção entre grupos e, mais importante, desencorajasse-a a misturá-los.

Sua realidade já tinha sido aceitar e viver dentro dessa regra das bolhas, mas foi rompida por uma curiosidade inata pelo outro, pelas tais diferenças irremediáveis. Sua história de vida passou a ser misturar-se com o diferente na vida pessoal e profissional. A tarefa diária de se manter quem se é, convivendo de perto com um mundo de outras possibilidades era um desafio que estava acostumada.

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A vida seguia até que um encontro com alguém que estava categorizado como um definitivo “outro” e que deveria ser “descartado” como possibilidade de vínculo se tornou a prova final de sua tese, “somos mais parecidos que diferentes e o encontro com o diferente promove amadurecimento e preenche a vida”. Nascidos em países tão distintos quanto a Suécia e o Brasil, ele em uma família de designers, artistas e ela em uma tradicional família brasileira de um pai militar, estavam em momentos possivelmente mais distantes ainda do que já provavam suas histórias. Um homem focado no poderoso e rico mercado imobiliário versus uma mulher empreendedora com paixão por seu pequeno negócio. Fortes em suas posições, eles poderiam ter rapidamente descartado as possibilidades de contribuição com base no primeiro contato visual, pelas roupas que vestiam, já estava claro que eram incompatíveis. Será?

No entanto, escolheram avançar. Ele frio como um iceberg, ela um vulcão de emoções, se dedicaram a arranhar a casca das aparências, a eliminar a visão como primeiro sentido de reconhecimento, encarando com abertura e empatia o diferente para que a mágica pudesse acontecer. Nesse espaço aberto, o que era igual se tornou evidente e, assim, nasceram dois cúmplices. Tornaram-se sócios, enfrentaram os desafios de crenças vinculadas às suas culturas, usaram a audição como o principal canal de conexão, o ouvir o outro como regra, o não reagir de imediato ao estranho como fonte constante e desafiadora de reflexão, e a confiança no estranho como propulsor de um novo afeto. Completaram uma década de parceria profissional e pessoal. Continuam diferentes e naturalmente se tornaram mais parecidos do que nunca. Jantaram essa semana para comemorar um novo momento: o iceberg se emocionou, o vulcão o acolheu. 

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