Studio Vanessa Barragão/Divulgação
Studio Vanessa Barragão/Divulgação

Da parede aos pés

Cultuada desde a era renascentista, a tapeçaria ganha ares contemporâneos e volta a ser objeto de desejo

Ana Carolina Ralston, Moda

29 de agosto de 2020 | 16h00

Luís XIV era um aficionado por tapeçarias. Tanto que, durante seu reinado na França (1646-1715), o movimento artístico-cultural alcançou sua maior expressão e era, inclusive, mantido pelo Estado, principalmente as famosas manufaturas da família Gobelins. Tido como um dos precursores da expressão no país, eles se dedicavam à produção e à coloração das peças, mas logo passaram a se devotar ao próprio ofício da tapeçaria em si.

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Séculos depois, a trama feita de lã, e atualmente também de tecidos mais contemporâneos e sustentáveis, invadiu o universo atual, ganhando linhas assinadas por diversos designers, arquitetos e artistas. Os fios tornaram-se as tintas para a criação de obras que vão de singelas a monumentais. “A tapeçaria voltou a ser uma forma de brincar com texturas, volumes e formas. Carrega uma ancestralidade ao mesmo tempo que, de acordo com suas cores e disposição, despertam o frescor dos dias atuais”, explica Rodrigo Ohtake, que atualmente assina uma linha autoral de obras para o chão e para paredes em parceria com a Punto e Filo.

A relação íntima com a prática manual foi o que levou Naia Ceschin a aventurar-se por esse universo. Designer gráfica e ilustradora, a paulistana trabalha em superfícies diversas. Criar tapeçarias foi mais uma de suas formas de expressão no meio. Inspirada pela natureza, ela transforma as formas orgânicas da flora em linhas geométricas com referências abstratas. Esse mesmo amor pela manufatura e pelo trabalho artesanal foi o que guiou a ainda curta, mas prolífica, carreira da portuguesa Vanessa Barragão. Nascida em Albufeira, no Algarve, região sul do país, passou a infância e a adolescência rodeada pela natureza, que é também sua fonte de referências. “O crochê e a ilustração foram as primeiras formas que encontrei para me expressar. Foi a partir delas que inconscientemente me conectei comigo mesma”, explica a artista.

Nas artes plásticas, a tapeçaria também voltou a aparecer com força e tem tomado o espaço de pinturas e esculturas de parede nas casas de colecionadores pelo mundo. Entre as mais disputadas em território nacional, está a do carioca Eli Sudbrack, conhecido como Avaf (assume vivid astro focus). Em sua última exposição, na Casa Triângulo, em São Paulo, o artista criou uma instalação na qual seus tapetes reproduziam uma espécie de dança, pendurados em cabos rotatórios. O balé apresentado pelas tapeçarias na galeria fez com que muitos entusiastas do meio adquirissem a performática instalação em suas casas. Um conto contemporâneo para o eterno sonho de viajar a bordo de um tapete mágico.

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