Victoria Hutchinson
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cultura: Arte a tiracolo

A grife francesa Louis Vuitton reforça sua potente ligação com as artes plásticas e o Brasil em uma colaboração inédita com Vik Muniz

Ana Carolina Ralston, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2021 | 07h00

A arte sempre fez parte da história da Louis Vuitton. Impossível esquecer o interior dos emblemáticos baús da grife francesa criados por artistas da época para o visionário monsieur Vuitton. Mais tarde, foi seu neto, Gaston, quem deu continuidade a projetos que uniam esses dois universos, que se alimentam mutuamente de forma expressiva.

Uma dessas parcerias frutíferas foi a bolsa grafitada criada por Marc Jacobs e Stephen Sprouse – desejo total no início dos anos 2000. Pouco tempo depois, em 2006, a grife começou a erguer em Paris uma das instituições culturais mais inusitadas da cidade, a Fundação Louis Vuitton, obra do arquiteto Frank Gehry, que hospeda até hoje ótimas exposições de arte contemporânea. De lá para cá, uma leva de nomes emblemáticos da arte, como Takashi Murakami, Cindy Sherman e Yayoi Kusama, participou de parcerias com a grife, sem esquecer dos brasileiros Osgemeos e Beatriz Milhazes

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Quem passa a fazer parte do hall de consagrados a ter suas ideias implementadas pela LV é Vik Muniz. O paulistano radicado nos EUA foi um dos seis artistas contemporâneos convidados a participar do projeto Artycapucines, no qual customizou a it bag lançada em 2013 e batizada em homenagem à primeira loja de monsieur Vuitton, aberta em 1854 na Rue des Capucines, em Paris. Ao seu lado estão os também incensados Gregor Hildebrandt, Donna Huanca, Huang Yuxing, Paola Pivi e Zeng Fanzhi. 

Para a criação de tal interferência, Vik revisitou sua série Quasi Tutto, de 2019, na qual trabalhou com delicados arranjos feitos com recortes de papel. A bolsa encanta com os coloridos ícones aplicados – são 154 deles feitos para cada peça, entre os quais estão de um diminuto bule de chá a uma sereia, passando por elefantes e abacaxis.

Algumas das formas colocadas na Capucines foram adicionadas com jato de tinta em alto-relevo, enquanto outras são embutidas com técnicas de marchetaria e feitas com couro Heritage reutilizado dos ateliês Louis Vuitton, uma abordagem alinhada com a prática artística ambientalmente responsável de Muniz. Em contraste com o exterior predominantemente branco da bolsa, o interior é forrado com couro amarelo liso, enquanto as argolas de metal são incrustadas com couro granulado fino, criando uma textura semelhante a uma tela. 

O lançamento do projeto Artycapucines teve um timing certeiro. O artista acaba de inaugurar uma belíssima exposição em São Paulo sobre sua série atual de trabalhos, Fotocubismo, em cartaz até o fim de dezembro na Galeria Nara Roesler. O espaço abrigou, inclusive, o lançamento oficial da it bag, durante o qual o artista falou livremente sobre a nova série, inspirada em um dos movimentos artísticos mais importantes da vanguarda europeia, o cubismo, encabeçado por Pablo Picasso. Vale uma visita à mostra com a sua Artycapucines de Vik a tiracolo! 

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