Franco Amendola/Moda
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Criativos 360

Com habilidades múltiplas, designers desafiam suas zonas de conforto para irem além, desenvolvendo produtos em diversas plataformas

Ana Carolina Ralston, Moda

18 de julho de 2020 | 16h00

Eles criam roupas, joias, esculturas, mobiliário e até casas. Acreditam no poder do design como algo multidisciplinar, que une estética e funcionalidade em todos os sentidos. E conseguem, por incrível que pareça, reconhecimento nessas diversas funções. Se durante muitos anos era preciso saber apenas sobre um segmento específico, cada vez mais profissionais têm se diferenciado por demonstrar conhecimento em diferentes áreas.

Foi a partir dessa premissa que nasceu a Misci, uma contração da palavra miscigenação, “que justamente mostra essa característica brasileira múltipla”, explica Airon Martin, fundador da grife. Nela, encontramos vestuário, mas também uma gama de mobiliários e acessórios. Nascido no interior de Mato Grosso, Airon foi criado por mulheres fortes que exerciam diversas funções para sustentar a casa. Dessa experiência, ele acredita ter vindo sua vontade de multiplicar as habilidades que tinha, apostando em diferentes segmentos. “A essência do design é baseada numa abordagem gestual que pode gerar criações em diferentes sentidos. Isso muito dialoga com o próprio cerne da nossa cultura.”

A partir de seu amor pelo design, nasceu no carioca Zanini de Zanine a habilidade para a escultura e a pintura, práticas que incorporou como parte de sua profissão em 2018, ao lado de sua forte identidade no mobiliário. As peças, tanto de arte quanto de design, começaram a ser produzidas com madeira de demolição de espécies brasileiras que fazem parte da pesquisa de Zanini, valorizando e preservando as técnicas manuais de trabalho. “Essa liberdade de criação sempre esteve muito presente dentro de mim. Esculturas em madeira ganham a companhia de pinturas em tela e papel, nas quais tenho me permitido registrar formas, relevos e cores que transmitem sensações.”

Um dos arquitetos contemporâneos mais renomados do País, Arthur Casas também não se deteve apenas em projetos de larga escala. O paulistano foi do max ao míni criando, entre uma residência e outra, coleções de joias para a H.Stern e Studio Objeto, marca coordenada pela mulher, Ligia Costa. “Pra mim sempre houve uma natural relação entre as diversas escalas, algo que aprendi observando Frank Lloyd Wright, entre muitos outros. Como dizia Rino Levi, arquiteto não é um especialista se estende seu campo de ação. Pessoalmente preciso atuar em todas as escalas para realizar o meu trabalho”, diz Casas. Em comum, as criações de Casas possuem uma linguagem extremamente autoral. E é essa a palavra que liga todos os pontos, entre os diversos nomes que dão a volta completa pelo círculo artístico.

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