Lorena Dini
Lorena Dini

Corpo e alma sustentável

Marca gaúcha lançada na pandemia buscar aprofundar práticas sustentáveis

Alice Ferraz, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2021 | 16h22

A sustentabilidade como uma missão real e não apenas um movimento de marketing. Esse é um dos principais focos da Tepo, iniciativa rara no mercado que apresentamos aqui na continuação da nossa sequência de textos sobre marcas de moda ecologicamente conscientes. A nova marca gaúcha nasceu de um desejo pela busca das melhores práticas sustentáveis e consegue traduzir essa consciência em todos os pontos de contato e não apenas (como se fosse pouco) na excelência dos produtos que leva ao mercado. 

A marca de Caxias do Sul (RS) foi lançada durante o período de isolamento social, em julho de 2020, por dois empreendedores que cresceram no meio da moda com o desejo de fazer roupas de uma forma diferente, partindo do respeito máximo ao planeta e à cadeia de produção.

“Desde crianças, tivemos contato com muitas marcas nacionais e internacionais de diversos segmentos e sempre pensávamos em como faríamos nosso negócio se fôssemos donos de algumas dessas empresas, com o poder de influência que elas detêm. Sempre sonhamos em ter nossa própria grife com tudo o que mais admiramos em tantas que conhecemos, e com ela fazer deste mundo um lugar melhor para se viver, ambiental e socialmente”, afirmam os cofundadores da Tepo, Eduardo Onzi, de 30 anos, e Brenda Quevedo, de 27. 

O mote da marca é claro: moda feita no Brasil, de forma ética, transparente e sustentável. Conceito este que se traduz em roupas com estética minimalista, que não estão ligadas às temporadas definidas pelo calendário de moda. Uma decisão estética que tem a ver com conversas sobre atemporalidade e a ideia de que uma peça não deve estar “fora de moda” após a troca de coleções.

 

O passeio pelo e-commerce da Tepo deixa claro esse conceito. O que vemos é um minimalismo à brasileira, que, ao contrário do que se pode imaginar ao pensar na estética minimal, é cheio de bossa, com silhuetas esguias e sensuais na medida certa. Apesar de seu pouco tempo no mercado, a marca já tem abrangência nacional, com e-commerce próprio e presença na curadoria do e-commerce CJ Fashion, do grupo JHSF. 

“Queríamos aliar design, modelagem e acabamento com matérias-primas nobres e sustentáveis, que as pessoas entendessem o preço que estavam pagando e como tudo isso poderia reverter para contribuir para um futuro melhor”, diz Brenda, ao definir o conceito da marca. 

A Tepo trabalha com fornecedores brasileiros que produzem matérias-primas de forma sustentável, entre eles O Casulo Feliz e G Vallone, empresas brasileiras que contam com certificações de sustentabilidade. Além disso, a marca é transparente nos números e divulga em seu site os custos para a produção de cada peça, que incluem materiais, mão de obra, transporte, impostos, taxas de crédito, participação em projetos socioambientais, investimento em novos produtos e margem de lucro. 

“Nosso tempo urge por adoção de práticas sustentáveis em todos os setores. E cabe a essa geração a conscientização e a atitude para que tenhamos um futuro mais digno e possível para quem está por vir”, afirma Quevedo. A empreendedora faz parte de uma geração que está de olhos abertos para os problemas do mundo, um grupo que tem o dever de dar o próximo passo em direção a uma sociedade mais consciente. Uma nova geração construindo um novo mercado. 

A consciência dessa responsabilidade geracional é algo inerente à Tepo. Eduardo Onzi cresceu no mercado de moda, em contato direto com a Onzzi Store, multimarcas de Caxias do Sul que é comandada pela mãe. Ele e Brenda também estão à frente de sua própria loja do segmento, a Lehitàge, Ambientes que desperta nos empreendedores a vontade de criar uma marca própria que trabalhasse seguindo as melhores práticas do mercado em relação à sustentabilidade e consciência. 

O DNA verde da Tepo não está presente apenas nas roupas, ele transborda para as outras áreas da marca. Por exemplo, a decoração do escritório usa um tipo de granito feito com materiais reciclados, os cabides são feitos de madeira reflorestada, as embalagens são de papel kraft – 100% reciclável e biodegradável. Ideais de uma marca que chegam até a vida de seus fundadores, que se tornaram vegetarianos pensando no planeta. “Não queríamos ser mais uma marca com uma ‘pegada sustentável’, e sim começar a tratá-la [A TEPO] como centro de tudo”, explica Eduardo Onzi. 

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