Bemglô
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Conheça o Bemglô, reduto sustentável de Gloria Pires, Betty Prado e Orlando Morais

Encabeçada pelas atrizes Gloria Pires, Betty Prado e pelo cantor Orlando Morais, a Bemglô mostra um panorama da moda do futuro

Renata Piza, Moda

19 de junho de 2022 | 07h00

Sustentabilidade é uma palavra que paira na moda há um bom tempo, com direito a grandes expoentes – vide Stella McCartney e Maria Cornejo, que desde o final dos anos 1990, comecinho dos 2000, só trabalham com matérias-primas com baixo impacto ambiental e alto impacto fashion.

Por aqui, também temos ótimos exemplos, como a estilista Flavia Aranha, que usa algodão orgânico e tingimentos naturais nas roupas que cria, ou a Reorder, responsável por um beachwear ultradesejável, feito com redes de pesca abandonadas em alto-mar. Ainda assim, é raro encontrar um local 100% dedicado a produtos certificados e rastreados em toda a cadeia. Mas ele existe, e fica pertinho de nós.  

Aberta em 2019, pouco antes da pandemia, a Bemglô é uma empreitada da atriz Gloria Pires, em parceria com a amiga de longa data Betty Prado, e o marido, Orlando Morais. Um espaço fincado em plena Oscar Freire como uma espécie de lembrete: é possível e é preciso consumir de uma forma mais consciente. “É disruptivo estarmos aqui, na rua mais ‘consumista’ da América do Sul; é furar uma bolha”, diz Betty, responsável pela curadoria do que entra lá. “Nem falamos mais em sustentabilidade, falamos em impacto e na possibilidade de gerar um impacto mais positivo.” 

Certificada pelo Sistema B, um movimento global que mede ações de impacto socioambiental de uma empresa, a Bemglô funciona como casa de 62 marcas brasileiras que se comprometem com a tríade criada pelo sociólogo britânico John Elkington: ser financeiramente viável, socialmente justa e ambientalmente responsável. 

Marcas como a carioca Kitecoat, que usa lona de pipas de kitesurf para construir roupas esportivas – com uma pipa é possível fazer até três jaquetas e evitar o descarte de um material que leva cerca de 300 anos para se decompor –, ou a Comas, que também aposta no upcycle de estoques inativos e resíduos industriais e dá vida a peças clássicas do closet, feitas para durar.

Mais: iniciativas que jogam luz para quem faz os produtos, as costureiras, artesãs, os coletivos. “Não é só sobre o meio ambiente, é sobre pessoas. Por isso, estabelecemos uma parceria com a rede Asta, que mapeia e capacita artesãos de todo o Brasil. Somos apaixonadas pelas bolsas feitas por elas com lonas de malotes de banco.” 

Entrar na Bemglô é uma imersão nesse universo sistêmico, onde tudo é integrado, a começar pelas abelhas nativas sem ferrão que habitam a entrada da loja. Ao lado de cada roupa, acessório ou joia disponível, existe um QR code que faz a ponte entre o consumidor e quem confeccionou aquela peça.

“Se você pegar uma pulseirinha de miçanga e entrar no QR code dela, vai conhecer a história da indígena que a fez, saber sua idade, sua etnia.” Para Betty, afinal, consumir é um ato político, que precisa ser repensado. “A moda é a segunda indústria mais poluente do mundo, e essa conta não fecha mais. É preciso saber escolher onde você coloca o seu dinheiro.”

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