Richard Luiz
Projeção de desfile no Edifício Anchieta, localizado da Rua Consolação com Avenida Paulista Richard Luiz

Com projeções, SPFW transforma prédios históricos em passarelas

Até domingo, 8, apresentações de grifes na semana de moda serão exibidas em endereços nas cinco regiões da cidade

Gabriela Marçal, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 05h00

A edição da Semana de Moda de São Paulo (SPFW) comemorativa de 25 anos foi para as ruas da cidade em grande estilo. Grande mesmo, no sentido literal da palavra. Além de festival de luzes para marcar o início do evento, os desfiles e as apresentações de 33 marcas serão transmitidos em prédios históricos e centros culturais da capital paulista.

Até domingo, 8, as projeções móveis vão passar por endereços como Mercado Municipal, Copan, Minhocão, Museu da Imigração, Centro Cultural Cidade Tiradentes e Parque do Ibirapuera.

A programação desta temporada começa às 14h, no entanto, as exibições vão ocorrer das 19h à 0h, transmitindo em tempo real o que está agendado para essa faixa de horário e reprisando o que foi divulgado na parte da manhã.

Para o artista visual Alexis Anastasiou, responsável pela direção do projeto, é fundamental ir além de centros comerciais e de locações como o bairro de Pinheiros. “Percorrer todas as cinco regiões da cidade é fundamental para realizar uma intervenção artística urbana.”

Levar a semana de moda para o espaço público é a ideia da iniciativa que foi planejada após o surgimento do novo coronavírus. Segundo os organizadores, a intenção é se aproximar das pessoas em uma edição totalmente virtual em razão da pandemia. “Você não pode tentar esconder, tem que abraçar o problema”, disse o artista visual sobre a estratégia para não deixar o cenário mundial impor limites para a criatividade.

Apesar de as circunstâncias não serem vistas como barreiras, elas não deixaram de direcionar alguns cuidados. Por isso, um caminhão com as estruturas que fazem as projeções vai trafegar pela capital paulista em um circuito de cinco horas, para que as pessoas não se aglomerem para assistir. 

Outro veículo que vai promover a ocupação audiovisual é um triciclo conduzido pelo duo chamado VJ Suave. Ceci Soloaga e Ygor Marotta são especialistas em projetar animações quadro a quadro na superfície urbana, misturando tecnologia com street art.

Para analisar a viabilidade de transformar as estruturas de prédios em passarelas digitais, a SPFW e a grife Relow, das irmãs Renata e Lilly Sarti, lançaram uma coleção, em 15 de outubro, na lateral do Edifício Anchieta, localizado na esquina da Rua Consolação com a Avenida Paulista.

 

Rita Comparato volta à SPFW com a marca Irrita

Estilista que marcou presença na SPFW com a Neon, nos anos 2000, Rita Comparato voltou para o evento na quarta, 4. Dança foi o formato escolhido para dar movimento às peças estampadas da marca Irrita.

 

SPFW traz lançamentos de peças antigas

A. Niemeyer apresenta em fashion film nesta quinta, 5, às 18h, um trabalho que reúne peças antigas e atuais. Assim a marca, que tem 14 anos de história, coloca em prática seu conceito de atemporalidade. A coleção Origem traz uma cartela de cores neutras e modelagens clássicas. Todos os princípios são voltados para inspirar uma relação de consumo mais consciente.

O Ponto Firme lança nesta quinta, 5, às 16h, peças desenvolvidas por ex-alunos do projeto realizado na Penitenciária Adriano Marrey. Os participantes, que agora estão em liberdade, trabalhando com o idealizador Gustavo Silvestre, confeccionaram a coleção com peças reaproveitadas e descarte de tecidos da NK Store. Mais um ponto para a sustentabilidade. 

Apresentações da SPFW nesta quinta

  • 14h - Korshi 01
  • 16h – Ponto Firme
  • 18h – A.Niemeyer
  • 19h30 – Alexandre Herchcovitch
  • 20h30 – Amir Slama
  • 21h30 – Another Place
Tudo o que sabemos sobre:
SPFW [São Paulo Fashion Week]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

SPFW começa edição histórica de 25 anos e institui cota racial

Em meio à pandemia, evento adota formato totalmente virtual e obrigatoriedade de 50% dos modelos serem afrodescendentes, indígenas ou asiáticos

Gabriela Marçal, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2020 | 05h00

É grande a responsabilidade da São Paulo Fashion Week (SPFW) que começa hoje (4). Após o novo coronavírus causar o cancelamento da temporada, que costuma ocorrer em abril, ficou para esta edição o papel de celebrar os 25 anos da semana de moda. A pandemia ainda desafiou o evento, que segue até domingo, 8, a adotar pela primeira vez o formato totalmente virtual com transmissão dos desfiles nas redes sociais. Entretanto, a expectativa subiu depois que a organização instituiu de maneira pioneira uma cota racial. 

A partir desta temporada, 50% dos modelos de cada apresentação devem ser afrodescendentes, indígenas ou asiáticos, com parentesco até segundo grau. 

Apesar de ser uma decisão histórica, a organização escolheu implementá-la sem grandes anúncios. A regra foi incluída no “manual de convívio coletivo”, como chama Paulo Borges, fundador e diretor criativo da SPFW. O documento é enviado antes de cada edição para as marcas participantes. 

No entanto, a novidade rapidamente se tornou assunto. A modelo Camila Simões destaca que a semana de moda é o primeiro espaço que um modelo brasileiro precisa conquistar. É o evento na capital paulista que define se um iniciante deve ou não voltar para a cidade natal. 

“É preciso lembrar que os 50% não é um benefício, é um direito conquistado”, afirma Camila. Ela, Natasha Soares e Thayná Santos, que participam do coletivo Pretos na Moda, foram decisivas para essa mudança se concretizar. As três modelos “invadiram” uma live de Paulo Borges, em 6 de junho, e cobraram um posicionamento da semana de moda mais importante da América Latina. Paulo Borges reconheceu que era hora de conversar e dar espaço para a “corajosa iniciativa”, como ele define. “O nosso papel é criar condições, mas o protagonismo é de todos os corpos criativos racializados.”

Ao falar sobre as funções nessa indústria, vale explicar que cada marca é responsável pela contratação das modelos. Aliás, o movimento Pretos na Moda também já confrontou os estilistas. Isso aconteceu quando as grifes se engajaram na hashtag Blackout Tuesday, em meio ao movimento Black Lives Matter, e postaram imagens pretas. “Surgiu uma revolta. Se nós não falássemos, iriam usar a causa de forma oportunista”, conta Camila. Segundo ela, foi nessa ocasião que a modelo Thayná relatou ter sofrido racismo em trabalhos para duas grifes: Reinaldo Lourenço (que não participará desta temporada e, na época, declarou ao jornal O Globo “errei e não tenho problema em admitir isso”) e Gloria Coelho, que tem apresentação marcada para domingo, 8. 

“Acho que todas as empresas eram racistas, nós temos que melhorar. Éramos racistas estruturais”, disse Gloria, que disse ter achado as cotas “uma iniciativa muito positiva”. “Neste desfile digital, tenho três mulheres: uma afrodescendente, uma branca e uma oriental.” 

A SPFW encara o racismo de maneira mais contundente em 2020, mas a semana de moda recomenda há mais de dez anos que as marcas participantes contratem pelo menos 20% de modelos afrodescendentes, indígenas e asiáticos. Entretanto, em 2009, o evento firmou um termo de ajustamento de conduta (TAC), que vigorou até 2011, com o Ministério Público do Estado de São Paulo, para que 10% dos profissionais nas passarelas fossem dessas raças.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.