Reprodução/Pixabay
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Coluna João Braga: Moda midiática

Toda e qualquer produção de moda, seja do segmento que for, tais como desfile, editorial ou publicidade, requer uma lente de aumento.

João Braga, Moda

05 de dezembro de 2021 | 07h00

Toda e qualquer produção de moda, seja do segmento que for, tais como desfile, editorial ou publicidade, requer uma lente de aumento. O exagero e o espetaculoso se fazem necessários para gerar o fato jornalístico e a consequente apreciação do receptor. Não haveria repercussão midiática se não houvesse uma produção de moda, dentro da proposta conceitual do estilista, que não chamasse atenção de alguma maneira para aquilo que é apresentado. 

Sim, isso é pensado, ordenado e elaborado com o intuito de divulgação, cada vez mais de maneira espetaculosa, até mesmo hipnótica, na tentativa da sensibilização estética, ideológica ou conceitual do espectador. É o processo de comunicação da dinâmica emissor/receptor.

O que é muito curioso, sociologicamente falando, no atual zeitgeist é que o exótico, o exagerado, o espetaculoso e o diferencial das passarelas/editoriais chegaram às ruas, de fato. Parece que se foram as barreiras e as fronteiras do conceitual em relação ao usável; do evento de lançamento em relação ao uso diário; do midiático ao aceitável para o real uso. Nunca a sugestão da imagem e a postura fashion estiveram tão presentes tanto nas passarelas/revistas/vídeos/mídias digitais quanto, especialmente, fora desses veículos, ou seja, nas ruas. É a moda midiática como autoconvencimento e autoaceitação da personalidade do usuário, para persuadir quem o observa. Parece que a mídia se sobrepôs à própria roupa. 

O prestígio de uma casa/marca/estilista está na capacidade de convencimento do grande público. Uma apresentação teatral, em cuja idealização espetaculosa da divulgação de uma coleção se torna muito importante, sendo todo o gasto um grande investimento midiático de persuasão. É praticamente uma imposição onírica de uma aparência deslumbrante. É ali que o espectador/consumidor vai se identificar e se reconhecer, passando a ter atitude semelhante.

É o poder de convencimento de uma marca/estilista de prestígio que é capaz de monopolizar o comportamento e o gosto (bom ou mau, não vem ao caso), levando o belo, o gracioso, o feio, o grotesco e/ou o bizarro ao desejo de consumo e do envergamento de uso fora dos holofotes e flashes das passarelas. É a manipulação do gosto e da aparência pelos dominantes que persuade as vontades e os reconhecimentos dos dominados. É a vontade humana narcísica de reconhecimento e admiração dialogando com uma atitude narcótica fashion-cenográfica.

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