STEPHANE DE SAKUTIN / AFP
STEPHANE DE SAKUTIN / AFP

Coco Chanel para além do tweed, vestido preto e seus amantes

Exposição em Paris se concentra apenas no trabalho da estilista e exibe cerca de 170 peças de roupa e 140 acessórios criados por Gabrielle Chanel

Anna Pelegri, AFP

28 de setembro de 2020 | 16h49

PARIS, FRANÇA - Coco Chanel rima com tweed, vestido preto e com uma intensa e polêmica vida privada. Mas por trás das etiquetas conhecidas se esconde uma coleção de criações visionárias que mudaram a forma de vestir das mulheres, segundo uma retrospectiva inédita em Paris.



"Redescobrimos Coco Chanel. Foi uma surpresa perceber até que ponto não a conhecíamos", admite à AFP a espanhola Miren Arzalluz, diretora do Palácio Galliera, museu que exibirá, a partir de quinta-feira, a exposição Gabrielle Chanel, manifesto da moda.

Embora existam mais de 100 biografias da estilista mais influente do século 20, estas geralmente dissertam sobre os homens com quem compartilhou sua vida, as suspeitas de uma colaboração com os nazistas ou sua triste infância, na qual foi abandonada por seu pai. Mostrar apenas seu trabalho na primeira retrospectiva em Paris foi "uma decisão radical", afirma Arzalluz.

No total, o museu exibe cerca de 170 peças de roupa e 140 acessórios criados por Gabrielle Chanel (1883-1971), muitos em seu "bastião" da rua Cambon de Paris, com sua lendária escadaria decorada com espelhos. Entretanto, a maioria dos designs também pode ser encontrada na vitrine de uma loja de alta costura da atualidade, o que ilustra como os princípios trazidos por ela para a moda - liberdade, elegância, naturalidade -, continuam guiando mulheres na hora de se vestir.



 

"Não precisava dos homens"

Alheia aos ditados da moda, a estilista atendia apenas ao seu próprio espírito. "Existe essa ideia de que tudo o descobriu foi graças aos homens que conheceu. Por exemplo, falam do grande duque Dimitri (Pavlovich Románov). Graças a ele, teria desenhado os casacos de inspiração russa, mas ela o fez antes de conhecê-lo. A verdade é que não precisava dos homens para criar", reivindica Arzalluz.

As diferentes salas da exposição revelam como o preto e o marfim predominaram durante sua carreira. Com o primeiro, estabeleceu sua visão minimalista da moda, enaltecendo a pureza das linhas e do tecido.

"O que faz o vestido é o tecido, não os adornos", afirmava Chanel, pioneira no uso de alguns materiais como o lurex, uma leve fibra metálica que não enruga. 

Ela também se inspirou no vestuário masculino, importando o dandismo como um novo código da modernidade feminina, e ousou com casacos de pluma para vestir as peles, assim como com a combinação da alta joalheria com a bijuteria

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