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Cerimônia do Chá

Levado da China para o Japão, onde floresceu pelas mãos (e paladar!) dos monges budistas, o matcha desembarca com todo o seu aroma no Brasil

Beta Germano, Moda

11 de julho de 2021 | 07h00

Algumas tendências podem até demorar para dar a volta ao mundo, mas, não duvide, elas dão. Esse é o caso do matcha, bebida milenar chinesa que ganhou o mundo ocidental pela turma hipster e pelos adeptos de dietas fitness, já que, além de gostosa e fotogênica, a bebida é uma superfood. Por ser nobre, delicada e cara – não tem produção no Brasil, é tudo importado –, só era possível encontrar o famoso chá em pó em locais específicos, geralmente por preços proibitivos ou de qualidade questionável. Isso até agora. 

A história do matcha é cheia de lendas, assim como a do chá. Atravessou povos, continentes, rituais e séculos até chegar às mídias sociais. Ambas são preparadas com a mesma planta, a Camellia sinensis, mas cada uma passa por um processo diferente. O que você conhece como chá branco, verde, preto, amarelo, pu-erh ou oolong nasce da infusão da Camellia sinensis, que pode ter sido seca, enrolada, oxidada e até fermentada. Dizem que o chá em pó se tornou padrão durante a dinastia Tang e foi levado da China para o Japão, onde a cultura floresceu pelos monges budistas.  

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O matcha é feito com a mesma planta, a Camellia sinensis. A grande diferença é que não tomamos a infusão, e sim a planta triturada. O que isso significa? As propriedades são elevadas à máxima potência e é por isso que a bebida conquistou aqueles que buscam saúde: o matcha é rico em polifenóis, especialmente as catequinas, por isso tem uma forte ação antioxidante, combatendo o envelhecimento precoce das células; altos índices de L-teanina, um aminoácido que nos ajuda a relaxar e a melhorar a memória e a concentração; e também de cafeína, que nos deixa em estado de alerta.  

Diferentemente do café, que te dá um pico de energia brusco e acelerado, o matcha vai te deixar calma e atenta durante um período de tempo mais longo. Não à toa, os monges tomavam matcha para meditar e os samurais bebiam antes das batalhas. Mas atenção, nem tudo o que é bom deve ser consumido em excesso: os nutricionistas recomendam no máximo duas xícaras por dia.  

Apesar de ter algumas semelhanças com a produção do vinho, o matcha não fica melhor com o tempo – o ideal é beber em até 6 meses depois da colheita (por isso a dificuldade da importação). Ele será melhor e menos fibroso quanto mais jovem e mais verde. Assim como nos chás infusionados, o terroir do matcha influencia as notas – os japoneses, por exemplo, são levemente salgados pela proximidade das plantações com o mar. 

Inicialmente o consumo do matcha era restrito aos nobres e às pessoas mais cultas, além de apreciado somente durante a cerimônia Chanoyu, um ritual que pode levar até quatro horas para ser realizado e envolve muita concentração, dedicação e espiritualidade. Há cerca de 20 anos, no entanto, os japoneses começaram a criar blends, usando outras folhas e diferentes cultivares, para criar chás em pó com diversos níveis de qualidade. Isso ajudou a popularizar a bebida.

O Namu, que entrou com força no mercado nacional, por exemplo, oferece três tipos de matcha: o chamado puro, para ser usado em doces; o cerimonial, para tomar somente com água quente; e o premium, meio-termo perfeito para um matcha latte.  Já o Push chegou ao Brasil com qualidade equivalente ao “premium”, bom para fazer receitas fitness. Hora de criar a sua própria cerimônia de matcha!

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