Divulgação/B.O.B
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Beleza: Maré boa

Depois dos ingredientes veganos e fórmulas cruelty-free, produtos que utilizam menos água em sua produção aparecem como próxima tendência e ganham representantes brasileiros

Renata Piza, Moda

05 de dezembro de 2021 | 07h00

Faça o teste: entre no seu banheiro agora e conte quantos frascos e potes plásticos se espalham do boxe à pia, lotando armários e nécessaires. O tradicional banheiro-ostentação brasileiro é a síntese do tamanho do mercado de beleza por aqui – somos o 4º do mundo –, mas também o sinal mais visível de que ainda estamos presos ao passado.

“A tendência é a indústria convergir para os produtos sólidos, sem água, sem plástico”, afirma Victor Falzoni, sócio-fundador da B.O.B (Bars Over Bottles), marca brasileira que nasceu no fim de 2019 com foco em um banheiro sem plástico, o banheiro do nosso futuro. “Em 5 anos, o waterless é uma categoria; em 10, é o novo normal.”  

Saem centenas de potinhos que podem demorar 200 anos para se decompor na natureza, entram barras multifuncionais em formas e tons desejáveis, produtos em pó, encapsulados, pastas. E não é difícil entender o porquê. Como muitos dos hits atuais, a beleza sem água despontou na Coreia do Sul, com marcas de skincare, como a Whamisa, e se alastrou pela web motivada por dois fatores principais: eficiência e sustentabilidade.  

Produtos waterless (que utilizam menos água) e clean beauty (beleza limpa, em tradução livre) têm concentrações mais altas dos ingredientes-chave (os bons) do que os diluídos e dispensam conservantes químicos (os maus) adicionados às fórmulas líquidas para evitar a proliferação de fungos. Mais potência, menos riscos de alergias, menos impacto ambiental – 50% do que desce pelo nosso ralo hoje termina na natureza.  

Segundo o Euromonitor Internacional, só a demanda por produtos para cabelos ecologicamente corretos bateu 18% em 2020 na América Latina e na Ásia e deve subir por conta da emergência climática e do aumento do uso das mídias sociais, o canal nativo das gerações millennium e Z, fortemente impactadas por marcas com propósito.  

Do smartphone ao chuveiro  

Além da B.O.B, chamam atenção por aqui a Simple Organic Beauty, a maior marca brasileira de cosméticos orgânicos, veganos, naturais e cruelty-free, que entrou recentemente no mercado waterless com uma linha de xampus sólidos, e a CARE Natural Beauty, eleita pela Sephora uma das 15 marcas mais inovadoras do mundo.  

Fundada em 2018 por Patricia Camargo e Luciana Navarro, a CARE ganhou o respeito e a base de fãs com uma linha de skincare colorido, que usa superfruits da Amazônia em sua máxima concentração e os entrega embalados em potinhos de alumínio, um material com ciclo de reciclagem infinito e mais sustentável.

Exemplos que têm chamado atenção de grandes players, como L’Oréal, Unilever e Garnier, que anunciaram recentemente metas mais sustentáveis até 2025 e que, em uma licença poética, ecoam a famosa frase de Dostoiévski: “A beleza salvará o mundo”.

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