Juliana Azevedo
Juliana Azevedo

Alice Ferraz: Levar ou não para o lado pessoal?

Vivemos em uma época em que a palavra propósito aparece na missão de 100% das empresas

Alice Ferraz, Moda

14 de maio de 2022 | 06h00

“Não leve para o lado pessoal” foi a última frase que ouviu antes de desligar o celular dentro do avião para uma imersão no Pantanal. Já tinha, é claro, se deparado com essa expressão inúmeras vezes, mas, naquele dia, ela parecia ter sido atingida por um raio ao meio-dia em céu azul.

“Como assim não levar para o lado pessoal?” “Portas fechando”, anunciava a voz do comissário da aeronave. Não ter conseguido se cadastrar no complicadíssimo Wi-Fi do avião foi a bênção necessária para, sem poder trabalhar por algumas horas, ficar presa na citação de efeito que tentava dizer “seja profissional, isso é só trabalho”. 

Vivemos em uma época em que a palavra propósito aparece na missão de 100% das empresas, e quem ainda não tinha antes da pandemia, buscou a sua rapidamente para pertencer ao grupo que, por ter propósito, mostra uma razão de existir. Cercados por uma geração na qual o trabalho sem propósito, ou seja, o trabalho sem uma intenção maior, um sentido alinhado a seus valores, não faz mais sentido, entrelaçamos cada dia mais o lado pessoal e o emprego. 

Trabalhar com algo que tenha significado pessoal nos deixa mais felizes e dispostos, dizem inúmeras pesquisas ao redor do globo. Então, se envolver emocionalmente é não só natural, mas bem-vindo. Tenha paixão pelo que faz é o que empresas pedem de seus colaboradores e o que empreendedores têm de sobra. A ideia, apesar de estar “na moda”, é antiquíssima. 

O filósofo Confúcio, citado à exaustão, já dizia: “Trabalhe com o que ama e nunca precisará trabalhar na vida”. Então, se você ama seu trabalho, tem paixão pelo que faz, se envolve emocionalmente com clientes, colegas, projetos, como não levar para o lado pessoal? E mais, por que não levar para esse que é o lado que nos move? Desembarcou no Pantanal assistindo, como sempre, ao seu lado pessoal e profissional de mãos dadas caminhando. 

Passou a manhã seguinte assistindo à onça-pintada em seu trabalho por alimento para caçar uma capivara. A onça e a capivara claramente levando todo aquele esforço, cheio de propósito pela sobrevivência para o lado absolutamente pessoal. 

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