Nicole Heinger, Darwin Campos, Valentino e Cassia Tabatini / Colagem: Thais Barroco
Nicole Heinger, Darwin Campos, Valentino e Cassia Tabatini / Colagem: Thais Barroco

A tropicália de 2020

O movimento nascido nos anos 1960 volta a permear o espírito e a moda atual, cheios de otimismo, cores e natureza

Alice Ferraz, Moda

07 de novembro de 2020 | 16h00

Era final da década de 1960 em um Brasil que vivia a ditadura militar e uma fusão de gêneros musicais, mesclando a tradição brasileira e estrangeira. Nascia ali um movimento cheio de vida, que era musical, mas também um campo de reflexão sobre a história social brasileira. O tropicalismo reinou oficialmente até 1968 e foi seguido por uma cultura mais pacifista e hedonista. A moda nesse momento, como parte de uma representação visual da quebra de paradigmas, trouxe cores e estampas relacionadas à flora e à fauna, em sintonia com a mensagem de liberdade, harmonia e paz. E o que exatamente esse movimento tem a ver com a nossa realidade em 2020 na moda? Tudo.

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A opressão da ditadura militar fez crescer nosso anseio por liberdade nos anos 1960.

A opressão da doença com a pandemia nos prendeu em casa, cada um em seu país, como exilados do mundo exterior. Fronteiras, casas, restaurantes, bares, comércio e cultura, todos fechados. Restrições físicas opressoras do convívio, do contato físico, se instauraram. Agora, o atual estágio da pandemia traz um impulso vital de liberdade, de alegria, de sonho, de cor e fluidez. Neste momento, a moda não nos limita, mas liberta e encontra no tropicalismo e no pós-tropicalismo uma referência para nossa emancipação. Queremos pés livres, corpos livres, a natureza por perto, cabelos naturais, make sem exageros.

Assim como na música dos anos 1960, que misturava guitarras e instrumentos brasileiros, nossa moda neste verão mescla e funde elementos da cultura estrangeira, mas sem regras preestabelecidas. Seremos livres, pelo menos no ato de vestir. “Que nada nos defina, nos limite e nos sujeite. Que a liberdade seja nossa própria substância”, dizia Simone Beauvoir em uma frase que encontra eco nas tendências da estação.

O linho e tecidos de fibras naturais são protagonistas novamente. Tricôs leves com tramas que acariciam o corpo são o toque de que precisamos. Vestidos longos deixam pernas livres, em movimentos e à vista. Calças chegam confortáveis e modelagens como saruel e harém são de novo hits de verão. As camisas são amplas, transparentes, leves e deixam a alfaiataria de lado ao se unirem a shorts jeans lavados e suaves. Bem-vindo verão 2020!

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