Juliana Azevedo
Juliana Azevedo

A tecnologia a favor do bem-estar

Durante a quarentena, em mais um lampejo de consciência forçada, entendi o quão pouco e mal usávamos as possibilidades da tecnologia que já estavam à nossa disposição

Alice Ferraz, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2020 | 03h00

Há dez anos, comecei uma transição gradual de carreira e vida. Comunicação sempre fez parte da minha essência – “nasci falando”, segundo minha mãe – e, organicamente, a comunicação e a informação se transformaram na minha profissão. Sou da geração analógica. Há uma década envolvida com a comunicação off-line, digo que fui “tragada” pela digital, por essa nova forma de enxergar e exercer o diálogo entre as pessoas.

As agruras de uma mudança de carreira para uma mulher de quase 40 anos ficarão para uma próxima coluna e para o momento oportuno. Mas já adianto que o desafio que temos no início para descobrir uma vocação e entrar no mercado de trabalho foi ultrapassado em todas as minhas métricas quando temos que, além de reencontrar o caminho e redimensionar nossa vida de acordo com a mudança, convencer os pares a nossa volta de que podemos não pertencer mais àquela caixinha em que fomos colocadas e que, talvez, exista mesmo uma possibilidade de mudança de “casta”.

Enfim, voltemos à descoberta. Encontrei e descobri nas ferramentas da tecnologia uma oportunidade única quando usada a favor do bem-estar pessoal e comunitário, independentemente da área que for usada, seja na comunicação, mobilidade, sustentabilidade ou em milhares de pequenas transformações que colaboram com o nosso cotidiano. O ser humano tem em suas mãos uma oportunidade de usar a tecnologia tanto para o próprio bem quanto a favor do nosso sofrido planeta.

Utilizar-se dessa tecnologia disponível para melhorar a forma como nos comunicamos foi o pilar da minha transformação pessoal e profissional. São dez anos estudando e atuando diariamente nessa área para que as novas maneiras de utilizar cada ferramenta tenham o propósito de melhorar e amplificar a mensagem. A intenção é usar as mídias sociais digitais como vetor de inclusão já que, por meio delas, conseguimos unir as pessoas por meio da informação.

Durante a quarentena, em mais um lampejo de consciência forçada, entendi o quão pouco e mal usávamos as possibilidades da tecnologia que já estavam à nossa disposição. Um exemplo disso posso ver na minha própria rotina: todo mês eu viajava para Florença para cumprir agenda de aulas a serem ministradas na faculdade Polimoda – usava mal a tecnologia achando que a usava bem. Eram três voos e milhares de quilômetros percorridos para passar dois dias na cidade italiana. Valia a pena? Eu achava que sim, usava a tecnologia, o avião rápido que me conectava ao mundo. Às vezes até o trem de alta velocidade. Isso foi antes da quarentena. Eu e a própria universidade só nos demos conta do quanto poderíamos otimizar nosso tempo e a tecnologia a nosso favor quando, este mês, reunimos minha classe com alunos de oito países diferentes na tela de um computador e tivemos uma aula surpreendente, sem prejudicar o meio ambiente e a nós mesmos, nessa corrida maluca a que estávamos todos nos submetendo.

Executivos altamente competentes se tornaram ainda mais eficientes trabalhando em casa, emitindo menos poluição, sem carros circulando em idas e vindas sem sentido para os escritórios. Perdemos menos tempo em encontros que podem ser resolvidos em uma ligação e disponibilizamos mais horas do nosso dia para a família e para o lazer. 

Somos seres de hábitos e rotinas e, por isso mesmo, somos amarrados em práticas que, primeiramente, são voltadas ao futuro, mas que sem avaliação constante acabam caducando, transformando-se rapidamente em convenções presas ao passado. Viver sem a aplicação prática do melhor que a tecnologia pode oferecer em cada mercado seria desperdiçar o trabalho do homem de criar e construir um futuro melhor e que estará em constante evolução. Será necessário sempre um momento de caos, como o que vivemos agora, para percebermos que chegou a hora da mudança?

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