Valentino
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A Moda nas Ruas

Sob o nome Valentino Rendez-Vous, Pierpaolo Piccioli encontra um novo público com uma moda jovem, despojada e encantadora

Alice Ferraz, Moda

10 de outubro de 2021 | 05h00

Como uma brisa de primavera que vem de encontro ao rosto em uma tarde quente, trazendo consigo sensações de conforto que nos fazem sentir mais vivos. Assim é a nova coleção da Valentino, que atingiu Paris durante a última semana de moda: com frescor, leveza e um espírito de renovação. O romano Pierpaolo Piccioli, diretor criativo da marca, assume o caráter social do ato de se vestir e nesta coleção propõe um movimento que nasce nos ateliês e ganha as ruas. A mensagem foi literal com a ambientação do desfile, que uniu a sala “fechada” com as ruas, ao ar livre. 

Modelos entravam na passarela e desfilavam rumo ao mundo, transpondo esses limites impostos por décadas de apresentações que traziam uma moda fragmentada. Para reforçar a mensagem, o espaço foi ambientado como os cafés parisienses, com pequenas mesas e cadeiras fervilhando de fashionistas ávidos para conferir em primeira mão as novidades da Valentino, que em segundos ganhavam o lado de fora. 

As roupas que cruzaram a passarela chegam como um novo capítulo na história de 61 anos da Maison Valentino. Aqui, o espírito é mais jovem e despojado do que nunca. Seis looks brancos abrem a apresentação e preparam o olhar para o novo, uma mensagem clara. 

As camisas com corte preciso e delicadas aplicações de renda ganham forma em tecidos levíssimos, transparentes e vaporosos, como uma aura de luz que envolve o corpo das modelos, mas vêm combinadas a calças jeans de perna ampla – aquelas tão amadas pela Geração Z – ou então usadas com saias de comprimento míni. 

Tudo é mais descolado, com uma dose extra de atitude que deixa espaço para quem vestir expressar sua personalidade através da moda. Nada na imagem limita, tudo é passível de um olhar pessoal e único. Quem acompanha o trabalho de Piccioli sabe que ele é um mestre das cores. Em uma temporada na qual os tons estão super vibrantes, o diretor criativo fez questão de comparecer à festa com a sua Valentino. 

Os amarelos saltam aos olhos, intensos e solares, verdes, azuis, rosas e púrpuras completam o espectro e ganham protagonismo em peças de alfaiataria e ternos, combinados de uma forma precisa e surpreendente. Um trabalho que só alguém com extrema sensibilidade sabe fazer. O arco-íris da marca é elegante e deixa seu rastro por onde passa. 

As cores também chegam com força aos acessórios, ponto importantíssimo de uma coleção, pois bolsas, sapatos e artigos de couro representam uma grande parte das vendas das tradicionais marcas de moda. A iconografia e história da Maison aparece representada por elementos como os monogramas e os spikes – rebites de metal – em tamanho máxi, acompanhados pelas tão faladas texturas acolchoadas, que há algumas temporadas caíram nas graças dos fashionistas e que não irão embora tão cedo.

Os sapatos, em sua imensa maioria flats, também resgatam códigos que amamos em Valentino. Nesta área, o destaque máximo vai para as gladiadoras, amarradas até os joelhos, com tiras cobertas por aplicações de metal, um verdadeiro statement fashion que mantém os pés no chão e fala sobre um ímpeto de força feminina. 

Pierpaolo Piccioli é um romântico e sempre pontua suas coleções com modelos etéreos, estampas florais e acabamentos que parecem dançar ao se mover. Mas, para o verão, essa dose de romance vem acompanhada de um profundo entendimento dos desejos de seus clientes. 

A Valentino está pronta para vestir a mulher que volta às ruas, que senta à mesa em cafés, que está ansiosa para experimentar as sensações de estar no mundo, das brisas de primavera batendo contra o rosto, aos encontros, jantares e festas. Piccioli nos convida a entender a dança da temporada, em um equilíbrio instigante de vida real e sonho.

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