Victor Paiva
Victor Paiva

A moda do futuro de Fiorella Mattheis

Ao apostar na economia circular, atriz empreende com consciência com a Gringa, empresa especializada na revenda de produtos de luxo

Alice Ferraz, Moda

08 de agosto de 2021 | 05h00

Fiorella Mattheis é uma mulher múltipla. Começou sua carreira de modelo ainda jovem e seu trabalho a levou a conhecer diversos países do mundo. Como atriz e apresentadora, viveu papéis marcantes na TV e, como influenciadora digital, acumula mais de 3 milhões de seguidores. Agora, como empreendedora, aposta na sustentabilidade e na moda circular com sua nova plataforma: a Gringa. A empresa nasceu no meio da pandemia, em março de 2020, e tem como modelo de negócios o chamado “recommerce”, focado na venda de produtos de luxo de segunda mão, o que estende a vida útil da peça e preserva recursos preciosos do planeta. 

“A Gringa nasce da minha paixão pela moda e da vontade de empreender para que esse mercado se transforme em um novo mundo. Para que tenhamos consciência de que estamos consumindo os recursos da Terra a um ritmo insustentável. Comprar uma bolsa nova enquanto mulheres guardam as suas, sem usar, em closets abarrotados, não pode mais ser uma opção”, diz Fiorella. “O Brasil é um mercado pouco explorado e com grande potencial para o second-hand e a Gringa tem a intenção de liderar este setor para incentivar a moda circular no País, ressignificando seus valores”, afirma.

Com uma seleção poderosa de bolsas, carteiras e acessórios de marcas internacionais como Chanel, Gucci, Hermès e Bottega Veneta, entre outras, a Gringa se preocupa ativamente com a jornada do cliente e do produto. “Nós coletamos as peças nas casas de quem está vendendo e cuidamos de absolutamente tudo. Temos um time de curadoria e autenticidade, atentos ao nosso padrão de qualidade, além do time de design, que faz as fotos profissionais, e do atendimento, que faz vídeos sob demanda para o comprador em tempo real. Além disso, temos um concierge para cuidar dos nossos clientes”, explica a empreendedora. 

O relatório Fios da Moda, divulgado em fevereiro, define economia circular como “um modelo econômico baseado em separar crescimento e desenvolvimento da extração, produção e consumo de recursos finitos”, uma nova abordagem para a moda que promove mudanças e propulsiona a transformação ambiental e econômica na sociedade. A obra, assinada pela pesquisadora Marina Colerato, contou com a participação do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGVCES) e do instituto Regenerate Fashion. 

É dentro dessa filosofia da economia circular que a Gringa nasceu. A empresa também adota soluções sustentáveis para suas embalagens, com o selo eureciclo, que garante que a massa equivalente de seus resíduos seja reciclada e que a quantidade de CO2 emitida seja compensada, no caso, por meio do Programa Carbono Neutro do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).

Aos 33 anos, Fiorella quer se firmar como um nome forte no mercado de moda brasileiro. “Meu trabalho hoje é com a Gringa, sou fundadora e CEO da empresa. E 100% do meu tempo é dedicado a ela, a profissão de atriz agora terá que esperar esse sonho estar do tamanho que imaginamos.” E que tamanho é esse? “Ser a maior empresa de recommerce do Brasil, oferecer a cada dia mais acesso a peças de luxo para mulheres de todo Brasil. As grandes marcas se resumem aos grandes centros, nós levamos os produtos para dentro das casas das pessoas em qualquer lugar, com a experiência de estar comprando diretamente da loja. Moda circular de luxo”, completa. 

Para o futuro, o plano é crescer o mix de produtos, que passará a incluir sapatos e, em 2022, roupas. Em alguns anos, a ideia é que a Gringa também possua móveis de design e joias. Crescimento este que segue os pilares do ESG, sigla que se refere a iniciativas ambientais, sociais e de governança em empresas.

“Além de sermos uma empresa a favor da sustentabilidade ambiental, também estamos trabalhando com representatividade de gênero e racial na governança e apoiando causas sociais com o nosso leilão beneficente, que já doou mais de R$ 250 mil no nosso primeiro ano de vida. Ainda temos muito a fazer, mas já nascemos sabendo das necessidades que precisamos suprir para ser uma empresa atual e atenta”, diz Fiorella. 

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