Juliana Azevedo
Juliana Azevedo

A menina e a montanha

A irmã mais nova cresceu e se transformou em uma bela e pulsante mulher. E foi ao lado do par ideal que sua alma encontrou um propósito maior

Alice Ferraz, Moda

15 de janeiro de 2022 | 09h14

Ela tinha 7 anos quando chegou da escola correndo pela casa, ofegante, procurando alguém para saber se a nova irmã já estava lá. Em poucas horas, estavam frente a frente, conhecendo-se. A mãe maravilhada com a nova bebê na casa onde já moravam duas meninas e dois meninos. A irmã mais nova cresceu mostrando personalidade, liderança, inteligência, além de uma memória prodigiosa. Aos 5 anos, cantava as trovas acadêmicas da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, onde o irmão estudava e exibia o talento da pequena para amigos que frequentavam a casa. 

Cresceu com uma certa angústia interna nitidamente maior que a da maioria. Foi uma adolescente cheia de questões e uma certa indiferença pelo que já existia no mundo, querendo sempre modificá-lo de alguma forma. Enquanto a irmã mais velha se maravilhava com qualquer pequena novidade do dia a dia, a mais nova tinha pretensões elevadas sobre como viver, por onde passear e gastar seu tempo. Um despretensioso cineminha no domingo era quase uma ofensa para aquela mente cheia de novos desejos e a convivência entre as irmãs era desafiadora. 

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A irmã mais nova cresceu e se transformou em uma bela e pulsante mulher. E foi ao lado do par ideal que sua alma encontrou um propósito maior. Uniram-se, ele com uma ideia e ela com sua inquietude, força e energia de construção. Em meio a uma montanha arborizada, enxergavam uma nova experiência na hotelaria. Não queriam agradar e nem desagradar ninguém, não se importavam. A irmã mais nova queria produzir algo genuíno e brasileiro em cada detalhe e contratou só mão de obra local, da montanha. Do barista ao pianista, todos foram formados ali. Vidas ao seu redor ganharam nova dimensão impulsionadas por sua vontade de criar.

Abrindo caminhos, suas ideias que pareciam sonhos se materializam. Suas aflições internas transformaram a montanha mágica em um lugar melhor quando ela colocou sua alma reformadora nas coisas que amava. Seu hotel-sonho se transformou em realidade, ganhou prêmios e admiradores. Mas, em alguns anos, o dia a dia, puro e simples, a monotonia do cotidiano voltou a impregnar tudo com o “conhecido” que para ela significava falta de emoção. 

A irmã mais nova, bela mulher e agora cheia de experiência, viu que era hora então de partir. “Empacotou” a vida, marido, quatro filhos, vendeu a montanha mágica e foi para o outro lado do mundo. Talvez esteja em busca de outra montanha para transformar e histórias para criar, como sempre fez.

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