SP-Arte
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A arte no universo phygital

Fernanda Feitosa une o mundo digital e presencial na SP–Arte Viewing Room

Alice Ferraz, Moda

06 de junho de 2021 | 05h00

“Tenho a inclinação de ver o copo meio cheio.” A frase, clássica dos empreendedores que, apesar dos dias difíceis se reinventam e vencem no mercado, foi dita pela empresária das artes Fernanda Feitosa, dias antes de inaugurar a SP–Arte Viewing Room, novo modelo de sua feira de arte, que abre suas portas digitais nesta quarta-feira, 9.

Fernanda é nome reconhecido no cenário das artes no Brasil e no mundo por ter talhado um novo momento para esse mercado desde que começou sua SP-Arte, em 2005. A ideia era dar acesso a esse universo para um novo público, atrair galerias de arte contemporânea nacionais e internacionais e inserir o Brasil em um contexto internacional nesse segmento. Fernanda conseguiu e a SP–Arte se tornou a maior feira de arte da América Latina

Com a emoção, e o propósito de quem realiza, Fernanda conta sobre o novo momento phygital da terceira edição do projeto SP-Arte Viewing Room. “Estávamos vivendo um grande momento quando a pandemia aconteceu. De qualquer forma, era necessária uma transformação digital que certamente não aconteceria sem um forte motivo para olharmos com seriedade para esse novo mundo”, explica a empresária sobre os últimos anos, em que a feira trazia em média 30 mil pessoas fisicamente para o histórico Pavilhão da Bienal em São Paulo. 

“A terceira edição da nossa proposta digital acompanha a mudança no formato que consumimos arte no Brasil. Saltamos de 30 mil visitantes físicos para mais de 100 mil visitantes digitais. A visita digital proporciona uma facilidade única para compradores de todos os Estados brasileiros, que não precisam mais vir até São Paulo, assim como para um público internacional. Antes, galeristas e compradores de fora achavam que tinham que vir ao Brasil para comprar nossa arte, um voo de uma noite pelo menos, entre Estados Unidos ou Inglaterra, onde estão os maiores compradores do mundo. Agora estamos a um clique.” 

Essa facilidade fez crescer de 25% para 40% o número de visitantes de outros Estados brasileiros e de 2% para 15% os internacionais. “O mercado brasileiro de arte ainda é jovem e tem um dos maiores potenciais mundiais. Criar um novo desenho phygital é necessário e bem-vindo, estamos aprendendo e reeducando um público acostumado a comprar arte só pessoalmente por anos”, diz a curadora de arte Ana Carolina Ralston, convidada pela SP–Arte Viewing Room para realizar a seleção que inaugura o evento com dez espaços digitais para se conhecer na feira. 

Para dar o caráter phygital, acontece no mesmo período o Gallery Week, circuito de eventos que inclui visitas presenciais às galerias, promovido em parceria com a ABACT – Associação Brasileira de Arte Contemporânea. Entre os dias 8 a 12 de junho, as galerias participantes estarão abertas das 11h às 19h, realizando diversas atividades, como visitas guiadas, conversas com artistas e curadores, talks virtuais e intervenções urbanas. 

Com o objetivo de promover uma retomada gradual e segura do mercado de arte, os encontros presenciais serão realizados mediante agendamento prévio, respeitando os protocolos de segurança e prevenção contra a covid-19. Com um olhar atento para o futuro, definitivamente o copo está meio cheio no mundo das artes.

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