Cortesia/Galeria Ipanema
Cortesia/Galeria Ipanema

55 anos de arte

Fundada por Luiz Sève, a Galeria Ipanema, uma das pioneiras do mercado brasileiro, comemora mais de meio século disseminando criações de Volpi, Di Cavalcanti e Cruz-Diez

Ana Carolina Ralston, Moda

07 de novembro de 2020 | 16h00

Foi em um almoço de família que o jovem Luiz Sève, então estudante de engenharia, decidiu que investiria sua energia em uma nova empreitada: o mercado das artes. Uma de suas tias, Maria Luiza de Paula Ribeiro, era apaixonada pelo tema e amiga de Jorge Guinle. O então herdeiro do Copacabana Palace animou-se com a ideia e cedeu a antiga sala de bridge do hotel para aquela que seria a primeira exposição da atual Galeria Ipanema, um dos primeiros espaços dedicados à comercialização de arte do Brasil.

Leia Também

Muso híbrido

Muso híbrido

Neste mês, o espaço fundado por Luiz e, hoje, dirigido por sua filha, Luciana Sève, completa 55 anos de história ainda entre os nomes mais incensados do mercado no País.

A primeira exposição, realizada em 1965, já foi sucesso absoluto. Nela, Luiz preparou uma coletiva formada por obras dos nipo-brasileiros Manabu Mabe, Tomie Ohtake, Tikashi Fukushima e Kazuo Wakabayashi. O espaço permaneceu no Copa até 1973, quando mudou para o endereço de Ipanema. Nesses muitos anos de história, a galeria representou alguns dos mais importantes nomes da arte moderna brasileira, como Di Cavalcanti e Alfredo Volpi, ambos amigos próximos da família Sève. “Volpi era um ser humano adorável. Sempre que vinha ao Rio, pedia para tomarmos uma taça de Valpolicella Bolla e comer camarão em frente à praia. Quando viajava à Europa, trazia para ele os pigmentos de que mais gostava para fazer suas pinturas, além de um queijo pecorino, claro”, conta Luiz.

Outro emblemático nome que integrou o núcleo de artistas e o convívio pessoal da família foi o franco-venezuelano Carlos Cruz-Diez, atualmente com um viewing room em cartaz no espaço virtual da Ipanema. “Foram muitas viagens ao lado dele, acompanhando de perto seu processo criativo e o profundo estudo de cores que realizava”, completa Luciana, que deixou o mercado financeiro para juntar-se ao pai e dar continuidade ao legado. No caso da Ipanema, a venda das obras sempre esteve atrelada também a uma profunda disseminação da arte, da história de seus criadores e dos movimentos de que participaram. Foi assim com a produção de Lygia Clark. Detentor de algumas obras da mineira, Sève contribuiu com o empréstimo da raridade Maquete para Interior – Versão Única (1955) ao MoMA, como parte da seleção de obras de Clark expostas no museu nova-iorquino, em 2014. “Estamos sempre em busca de peças para aquecer o mercado e divulgar o modernismo brasileiro”, diz Luiz. Que venham mais 55 anos pela frente!

Tudo o que sabemos sobre:
moda

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.