Pedro Colombo
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Zélia Duncan se lança no universo literário com ‘Benditas Coisas Que Eu Não Sei’

Cantora e compositora se aventura no mundo das letras com livro de ensaios em que entrelaça memórias e opiniões sobre sua paixão primária: a música

Bruno Cavalcanti , Especial para o Estadão

02 de agosto de 2022 | 05h00

“Cantar me faz gostar de falar, falar me faz gostar de escrever, vou inventando meus fluxos.” É assim que a cantora e compositora Zélia Duncan descreve o ímpeto criativo que, há mais de 40 anos, pauta a construção de sua carreira.

Ao longo de quatro décadas, a cantora lançou álbuns em que flertou com o reggae, o folk, o pop, o samba-canção. Somam-se ainda projetos divididos com a cigarra Simone, com os parceiros Paulinho Moska, Ana Costa e Zeca Baleiro - e isso apenas no meio da música. Em sua trajetória, Duncan já se aventurou como atriz no solo musical Tôtatiando, em que interpretava obras de Luiz Tatit, e na comédia Mordidas, dividindo a cena com Regina Braga, Ana Beatriz Nogueira e Luciana Braga

Agora, Duncan se lança no mercado literário com Benditas Coisas Que Eu Não Sei, livro de ensaios no qual entrelaça lembranças e opiniões sobre sua paixão primária: a música. “Hoje, mais madura, eu sinceramente desejo ficar feliz com o que faço, antes de mais nada. Claro que o retorno é fundamental e me ajuda em tudo, mas eu realmente tenho descoberto esse prazer de me jogar, ir e não olhar muito pra trás”, explica. 

Impessoal

Foi esse prazer que a levou a aceitar o convite da editora Agir para escrever um livro sobre música com um olhar impessoal. “Foi impossível, desisti do projeto inicial e parti para o que se tornou este livro. Que teria esse tom de conversa, devaneio, sonho, um tanto de memória minha sobre minha carreira e sobre o que vejo no caminho de quem canta e faz, a partir do canto, tantos desdobramentos, como tenho me proposto”. 

Em Benditas Coisas Que Eu Não Sei, Zélia faz um apanhado de sua trajetória e relembra passagens marcantes de sua vida e carreira que construiu, abrindo parágrafos generosos ao falar de colegas, amigos e parceiros, como o músico Christiaan Oyens, o compositor Itamar Assumpção, a cantora Simone e a parceira de composições Rita Lee, entre outros.

Entretanto, o que a cantora se priva de fazer é uma autoanálise. “Não gosto muito de olhar minha carreira de fora, fico achando que não me cabe. Me cabe plantar, regar, arrancar os matos e conhecer novas sementes. Creio que o risco me atrai, não no sentido kamikaze, mas no sentido do mistério, de gostar de me ver em situações novas. Acho que foi benéfico pra mim errar novos erros e esbarrar com possíveis acertos.”

Política

Um desses riscos veio com o posicionamento político nas redes sociais - Zélia não se priva de discutir e analisar o cenário político, econômico e social do País, seja no Twitter ou na videocoluna ZóionoZóio, que mantém em seu canal oficial do YouTube. No livro, porém, não há política

“Eu tive vontade de falar com as pessoas. Hoje percebo o quanto se somou a todo o resto, recebo muitos retornos bonitos. Acho que na altura em que estamos, a poucos meses da eleição, quem recebe o ônus é quem não se posiciona a favor do Brasil e da democracia. O silêncio neste momento é um péssimo sinal”, finaliza ela, que se apresenta, ao lado do violonista Webster Santos, de quinta, 4, a domingo, 7, na Sala Itaú Cultural.  

 

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