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Zazie Edições apresenta uma nova forma de pensar e fazer livros

Idealizada por Laura Erber e Karl Erik Schøllhammer, editora só vai publicar livros digitais que serão distribuídos gratuitamente

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2015 | 22h58

Nos tempos que correm, criar uma editora talvez seja um pouco como casar pela segunda vez – vitória da esperança sobre a experiência –, mas não deixa de ser também um modo de fazer magia em um mundo desprovido de fulgor, de brio. É assim que Laura Erber, autora de Esquilos de Pavlov e professora da Unirio, e Karl Erik Schøllhammer, crítico e professor da PUC-Rio, começam a apresentação da Zazie Edições – que lança hoje, 12, às 15 h, no Museu de Arte Moderna do Rio, Ninguém Mais Sabe, sua primeira coleção.

O momento não é dos melhores. Nos últimos anos, o mercado editorial viu seu desempenho financeiro piorar gradualmente e, para agravar ainda mais a situação, perdeu, em 2015, seus principais clientes – governos municipais, estaduais e o federal. Uma rápida olhada nas listas de mais vendidos, cujos títulos são de algumas poucas editoras, também seria motivo para desânimo. Mas a Zazie não se importa com isso.

Ela nasceu para ser pequena, independente e para não ganhar nada. Nada mesmo. Um de seus lemas, emprestado de Marilyn Monroe, é: “Não estou interessada em dinheiro, só quero ser maravilhosa”. Tudo o que a Zazie publicar será digital e distribuído gratuitamente no site.

A aposta é no formato de coleções que proponham novos arranjos e visões das artes e da literatura e do que cada linguagem troca entre si. A série lançada junto com a editora conta com mais de uma dezena de pequenos livros de desenho seguidos de um breve comentário do autor/autora sobre sua prática e compreensão do desenhar. Entre os artistas, Dan Perjovischi (Romênia), Zuca Sardan, Carla Gagliardi e Tove Storch (Dinamarca).

Fazer da produção editorial um meio de intervenção no debate crítico, teórico e artístico contemporâneo é o sonho da Zazie, explica Laura Erber. “É coisa à beça, vamos aos poucos. A ambição é tornar a discussão e a percepção do campo artístico e teórico um pouco menos viciado e dependente das demandas institucionais e mercadológicas e escapar também ao modelo ‘qualis’ de avaliação das revistas acadêmicas, por vezes muito sufocante”, diz.

Outras coleções estão sendo organizadas pela dupla, e tudo tem sido feito colaborativamente. Para projetos específicos, eles cogitam fazer financiamento coletivo ou recorrer a editais para remunerar os colaboradores.

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