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Zahar publicou obras fundamentais para decifrar a charada dos tempos modernos

Até 1964, já havia no mercado 143 títulos com a marca do Z. Não é o número que conta, mas a densidade cultural das obras

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2017 | 06h00

Em 1957, a Zahar publicava seu primeiro livro, Manual de Sociologia, de Jay Rumney e Joseph Maier, frankfurtianos de carteirinha. Era, também, o livro inaugural do selo Biblioteca de Ciências Sociais, o “DNA da editora”, como escreve Paulo Roberto Pires na biografia de Jorge Zahar. 

Daquela data em diante, gerações de brasileiros cultos, ou desejosos de sê-lo, acostumaram-se a ver o logotipo do Z marcado em obras fundamentais para decifrar a charada dos tempos modernos. Zahar editou Kenneth Galbraith, Wright Mills, Paul Sweezy, Freud, Eric Fromm, Wilhelm Reich, Herbert Marcuse, Philippe Ariès, Albert Soboul, Florestan Fernandes, Otto Maria Carpeaux e um longo etc. 

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Até 1964, já havia no mercado 143 títulos com a marca do Z. Não é o número que conta, mas a densidade cultural das obras. Quem não tivesse lido livros como Eros e Civilização, de Herbert Marcuse, e O Medo à Liberdade, Eric Fromm, era considerado alienado, “por fora”. 

Dentro do seu nicho de público, a Zahar lançou livros de popularidade. O maior exemplo talvez seja História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman, que vendeu 300 mil exemplares. Mas a editora nunca teve medo do difícil. De Jacques Lacan, editou a tradução dos Écrits, tidos como “ilegíveis”, e também alguns dos Seminários do psicanalista, mais amenos, mas, ainda assim, senhores quebra-cabeças mentais. 

Uma constante da editora: a qualidade das obras e sua relevância. Fazem jus ao lema da casa: “A cultura a serviço do progresso social”. Se este não se cumpriu, não foi culpa nem da cultura nem de Jorge Zahar. 

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