Valerie Macon / AFP
Valerie Macon / AFP

Whoopi Goldberg é suspensa pelo canal ABC por comentários sobre Holocausto

A atriz e comediante falava sobre a proibição do livro 'Maus' de Art Spiegelman em uma escola no Tennessee

Redação, AFP

02 de fevereiro de 2022 | 07h49

A atriz Whoopi Goldberg foi suspensa na terça-feira, 1, por duas semanas do programa que apresenta no canal ABC depois de ser criticada por dizer que o genocídio nazista de seis milhões de judeus não foi "uma questão de raça".

Apesar de a apresentadora do programa The View ter pedido desculpas, a presidente da ABC News, Kim Godwin, afirmou que não era suficiente.

"Com efeito imediato, suspendo Whoopi Goldberg por duas semanas por seus comentários equivocados e ofensivos", afirmou Godwin em um comunicado publicado na conta de relações públicas do canal no Twitter.

"Embora Whoopi tenha se desculpado, eu pedi a ela que tire um tempo para refletir e perceber o impacto de seus comentários", completou.

A atriz, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante por Ghost (1990), afirmou em uma edição do The View que o Holocausto envolveu "dois grupos de pessoas brancas". 

"No programa de hoje disse que o Holocausto 'não é uma questão de raça e sim da desumanidade do homem com o homem'. Deveria ter dito que são os dois", escreveu Goldberg no Twitter na segunda-feira, 31, à noite. 

"O povo judeu de todo o mundo sempre contou com meu apoio e isso nunca vai mudar. Lamento o dano que causei", acrescentou a atriz de 66 anos. 

Após os comentários de Goldberg, críticos responderam que a raça foi determinante para o genocídio, já que os nazistas acreditavam que eram uma raça superior. 

"Não @WhoopiGoldberg, o #Holocausto foi a aniquilação sistemática do povo judeu por parte dos nazistas, que os consideravam uma raça inferior", tuitou Jonathan Greenblatt, diretor da Liga Antidifamação. 

"Foram desumanizados e usaram essa propaganda racista para justificar o assassinato de seis milhões de judeus. A distorsão do Holocausto é perigosa", acrescentou. 

Por sua vez, o Museu do Holocausto dos Estados Unidos escreveu no Twitter que "o racismo foi fundamental para a ideologia nazista". 

"Os judeus não eram definidos pela religião, mas pela raça. As crenças racistas nazistas alimentaram o genocídio e o assassinato em massa", declarou essa instituição sem fazer referência aos comentários de Goldberg. 

Goldberg, que protagonizou filmes que denunciaram o racismo contra os negros como A Cor Púrpura, falou durante uma discussão sobre a proibição em uma escola de Tennessee da 'graphic novel' de 1986 Maus, sobre a vida no campo de concentração nazista de Auschwitz. 

O livro, vencedor do Prêmio Pulitzer, que retrata judeus como ratos e nazistas como gatos, é considerado uma representação poderosa e precisa do assassinato nazista de milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

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