Joe Klamar/AFP
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Viena resgata Felix Salten, criador esquecido do personagem Bambi

Perseguido pelos nazistas, autor judeu vendeu direitos da obra escrita em 1922 por mil dólares

AFP, Agências

12 de junho de 2021 | 15h09

O mundo inteiro conhece Bambi, o personagem clássico de Walt Disney, mas poucos sabem que seu criador é Felix Salten, um prolífico escritor da época de ouro de Viena e que uma exposição quer resgatar do esquecimento.

Escrito em 1922, Bambi: uma vida na floresta teve pouco sucesso na época. Na década seguinte, porém, esse autor judeu, perseguido pelos nazistas, cedeu seus direitos por mil dólares para um produtor americano. Este último os revendeu para o famoso estúdio de animação.

"Felix Salten mudou de editora e, então, o livro se tornou um grande sucesso, antes de ficar ainda mais famoso com a adaptação para o cinema de 1942", disse à AFP Ursula Storch, curadora desta exposição no Museu de Viena (MUSA). 

O legado desse escritor, cujo trabalho seria proibido na Alemanha e na Áustria pelo nazismo, não se resume, no entanto, apenas na conhecida história do cervo que chora a perda da mãe, abatida por caçadores. 

Nascido em março de 1869 em Budapeste, ainda no poderoso Império Austro-Húngaro, Salten e sua família se mudaram para Viena no ano seguinte. Foi nesta capital que ele começou a trabalhar como jornalista até escrever libretos de ópera, poesia, crítica de arte, roteiros de cinema e até um romance pornográfico.

Na época dourada da capital austríaca, Salten conviveu com o psicanalista Sigmund Freud e com o músico Richard Strauss. A anexação da Áustria à Alemanha nazista, em 1938, precipitou sua fuga com sua mulher e milhares de obras de sua biblioteca para a Suíça, onde faleceu em 1945. 

Sua neta suíça, Lea Wyler, que conhece apenas de ouvir as histórias de família, lamenta que "um homem tão dotado, tão cheio de humor e de sagacidade" como seu avô seja lembrado apenas por "Bambi" - e isso no melhor dos casos.

"Todo mundo acha que foi a Disney que o inventou. Não dão nenhum crédito a ele e, durante esse tempo, eles acumulam milhões", reclama Lea, que recebe como "um gesto de redenção" o reconhecimento agora dado pela cidade de Viena.

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