Divulgação
Divulgação

'Vício Inerente' é Pynchon em sua epopeia mais lisérgica

Filme inspirado no livro do escritor americano chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 26

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2015 | 03h00

Thomas Pynchon mudou e continua o mesmo em Vício Inerente, volumoso painel (464 páginas) do que foram os anos 1970 com seus hippies e a “sociedade alternativa” vinda da década anterior. Pynchon mudou porque se exibe mais como malabarista verbal em Vício Inerente, superando a retórica enlouquecida de seus livros mais antigos, entre eles O Arco-Íris da Gravidade que, desde seu lançamento, em 1973, continua a Bíblia da contracultura. Pynchon permanece o mesmo porque Vício Inerente lida basicamente com a linguagem inspirada em veículos de comunicação de massa – quadrinhos, pulp fiction – sem abdicar das referências literárias da alta cultura.

O que diferencia Vício Inerente dos outros livros de Pynchon – Contra o Dia, Mason e Dixon, Vineland, todos publicados no Brasil pela Companhia das Letras – é uma dose a mais de anarquia. Primeiro, Vício Inerente já começa como um pastiche de um gênero gasto, a novela noir em que um detetive se envolve com gente da pior espécie e, obviamente, acaba metido em confusão – o que é de se esperar de um freak tão sem noção que batiza sua firma de LSD (Location, Surveillence and Detection). Finalmente, Pynchon não tem o mínimo pudor em reciclar personagens (Vineland, em especial), embora para compor sua epopeia mais lisérgica.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.