Alan Riding/NYT
Alan Riding/NYT

Universidade do Texas pagou US$ 2,2 milhões por arquivo de García Márquez

Material contém vários manuscritos, duas mil cartas, 40 álbuns de fotos e inumeráveis notas e apontamentos, além de outros objetos

EFE

26 de fevereiro de 2015 | 16h25

A Universidade do Texas, nos Estados Unidos, pagou US$ 2,2 milhões à família de Gabriel García Márquez pela aquisição do arquivo pessoal do falecido vencedor do Nobel de Literatura, segundo revelou nesta quarta-feira, 25, esta instituição educativa.

A compra do arquivo, que contém vários manuscritos, duas mil cartas, 40 álbuns de fotos e inumeráveis notas e apontamentos, além de outros objetos, foi anunciada no final de novembro de 2014, mas o custo não havia sido divulgado até então.

A transação se realizou meses antes através de Glenn Horowitz, um intermediário com escritório em Nova York. Entre os objetos mais valiosos do arquivo estão o documento definitivo de "Cem anos de solidão", que o escritor entregou à imprensa em 1967, e um dos poucos manuscritos que existem de "En agosto nos vemos", seu romance inédito.


A Universidade do Texas se negou, em princípio, a tornar público o contrato da compra e solicitou às autoridades texanas uma permissão especial para mantê-lo em segredo, contrariando uma lei estadual, mas o pedido foi rejeitado há poucos dias.Por isso, a instituição revelou hoje o montante da operação, segundo confirmou Jen Tisdale, uma porta-voz da universidade.

O Centro Harry Ransom, o departamento da universidade que cuida arquivo, tem uma das coleções literárias mais importantes do país, com objetos de James Joyce, Ernest Hemingway, Jorge Luis Borges e William Faulkner, entre muitos outros.


Seu diretor, Steve Enniss, explicou à Efe em novembro do ano passado que a decisão que fosse o Centro Harry Ransom o que acolhesse o legado de García Márquez foi tomada por sua viúva, Mercedes Barcha, e seus filhos, Rodrigo e Gonzalo García.

De fato, Rodrigo García Barcha disse então que "a intenção da família sempre foi encontrar o melhor lugar para o arquivo, independentemente de onde fosse"."Nós queríamos que estivesse bem acompanhado", acrescentou García Barcha, ao argumentar que na Universidade do Texas há "coleções similares".


A notícia despertou reações na Colômbia, país natal de García Márquez, ainda mais quando o filho de García Márquez afirmou que "o governo colombiano nunca fez-se presente nem fez nenhuma oferta".


Gabriel García Márquez morreu em 17 de abril de 2014, na Cidade do México, onde morava há décadas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.