Vitrine Filmes
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'Unicórnio’, um filme para intrigar - e encher os olhos - do leitor de Hilda Hilst

Filme de Eduardo Nunes baseado em dois textos de Hilda Hilst busca significados filosóficos e metafísicos; com estreia prevista para agosto, 'Unicórnio' será exibido antes, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

13 Julho 2018 | 06h00

Eduardo Nunes faz os filmes talvez mais belos do cinema brasileiro atual – beleza visual, hipnotizante. A fotografia em preto e branco de Sudoeste, o vento nas dunas, a vida inteira de uma mulher, do nascimento à velhice, em 24 horas. E a presença gloriosa de Simone Spoladore, atravessando o tempo. As cores mágicas de Unicórnio, o campo florido, a floresta e o relato – tênue – baseado em duas histórias de Hilda Hilst. Uma garota e seu pai, ela está numa instituição psiquiátrica? A mesma garota em outra situação, no campo, com a mãe e um estranho que vem desestabilizar a vida familiar. E há o unicórnio, animal mitológico que representa pureza, força, docilidade. Da garota?

A atriz mirim Barbara Luz, a sempre poderosa Patricia Pillar, filha e mãe. Duas histórias, ou dois tempos, tecidos com a evidente intenção de compor uma fábula. Nem sempre parecem perfeitamente articulados, mas a beleza impõe-se. Símbolos – o prego na árvore. Diálogos estranhos, que colocam na tela a poesias hilstiana. Os esconderijos da mente. Ficar em silêncio e sentir a vida. O que há do outro lado do muro? Esse outro lado talvez seja o enigma de Unicórnio.

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Eduardo Nunes não trabalha no registro realista. Busca significados filosóficos e até metafísicos, trabalha sobre correspondências poéticas. A questão é – a quem interessam esses elaborados jogos intelectuais em que tudo, às vezes, parece nada? O leitor de Hilda Hilst ficará intrigado e, talvez, recompensado pela beleza que enche os olhos.

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