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Festival vai apresentar panorama da produção literária holandesa

Evento será realizado em São Paulo e no Rio de Janeiro e receberá autores como Arnon Grunberg, Toine Heijmans e Marjolijn Hof

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2015 | 02h06

AMSTERDÃ - Os poucos tradutores do holandês para o português andaram ocupados nos últimos tempos, já que pelo menos 16 títulos devem chegar às livrarias brasileiras este ano. Desses, seis foram escritos por autores que estão com passagem marcada para o País, para participarem, a partir de 26 de agosto, do Café Amsterdã. Festival literário organizado pela Fundação Holandesa das Letras, ele já passou por Praga e Pequim.

A ideia é levar, para os países onde ele é realizado, um pouco da atmosfera dos cafés holandeses, aonde se vai para beber e jogar conversa fora - acrescentando, aí, um pouco de literatura e música. Com programação em livrarias, bibliotecas e outros espaços de SP (26 a 30/8) e do Rio (1.º a 4/9), o evento levará autores com livros já publicados, conhecidos ou não dos brasileiros. Na lista inicial, eram 10 os convidados, mas houve duas baixas: Peter Buwalda, autor do festejado Bonita Avenue, que sairá pela Alfaguara, e Herman Koch, autor da Intrínseca e um dos mais conhecidos internacionalmente.

Arnon Grunberg é o destaque. Jornalista que está ora no Afeganistão ora internado na ala psiquiátrica para suicidas em potencial - tudo para escrever suas reportagens -, ele já publicou duas obras no País, Amsterdã Blues e Dor Fantasma, ambas pela Globo e esgotadas. Tirza, que lança agora pela Rádio Londres, é tido como seu livro mais importante e foi traduzido por Mariângela Guimarães, que também assina a versão de No Mar, de Toine Heijmans, no prelo da Cosac Naify. Curiosamente, os dois títulos falam sobre paternidade - mas com abordagens e estilos bem diferentes.

Ainda entre os romancistas, Tommy Wieringa apresenta Joe Speedboat, obra sobre a amizade entre o narrador, preso a uma cadeira de rodas, e o espevitado Joe, que sairá pela Rádio Londres com tradução de Cristiano Zwiesele do Amaral. O poeta convidado foi Arjen Duinker, traduzido por Arie Pos para Confraria do Vento.

Duas autoras vão falar sobre literatura para crianças e adolescentes. Marjolijn Hof não vai lançar nada de novo, mas tratará de Um Fio de Esperança, publicado pela WMF Martins Fontes em 2010. E Janny Van der Molen, de Lá Fora, a Guerra, romance feito sob encomenda da Casa de Anne Frank para crianças de cerca de 10 anos. O livro sairá pela Rocco.

O ator Ton Meijer é o único da comitiva sem um livro próprio, mas ele herdou de seu companheiro, Sieb Posthuma, morto há quase um ano, os direitos de Calder - A Vida Por Um Fio. Como sempre montou seus espetáculos com livros, decidiu fazer um com base neste título programado pela 34. Há dois meses ele estuda português porque é assim que vai apresentar a peça. Barbara Stok, autora da graphic novel Vincent, sobre o período em que Van Gogh viveu na França, publicada pela L&PM em 2014, encerra a lista.

Além dos debates entre holandeses e brasileiros - apenas Daniel Galera e Michel Laub já foram confirmados -, haverá programação de filmes e exposição de ilustrações de livros infantis no Rio e exposição de livros feitos pela designer Irma Boom em São Paulo. Ela não participa do Café Amsterdã, mas chega dia 1.º para dar oficina na Flip.

Há alguns anos, profissionais da fundação vão ao Brasil para promover a literatura do país. O resultado começa a aparecer, Além de bolsas de tradução, a instituição, que investe 100 mil euros no Café Amsterdã, dá workshops de tradução e mantém uma residência para profissionais que querem passar um tempo na cidade e aprender mais a língua. "O Brasil é um grande mercado. Além disso, há autores brasileiros sendo traduzidos para o holandês e não havia muito acontecendo com a literatura holandesa no Brasil. É uma espécie de missão cultural, mas deve haver um interesse pelos livros para continuarmos", diz o diretor Tiziano Perez.

A repórter viajou a convite da Fundação Holandesa das Letras

 

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