Último dia da Bienal do Livro tem Laurentino Gomes e Carrascoza

Domingo também é o dia das liquidações nos estandes das editoras

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

30 de agosto de 2014 | 16h00

 Depois de oito dias de corredores cheios e estandes lotados, a 23.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo entra neste domingo nas suas horas derradeiras. Entre 10 h e 21 h, o paulistano tem a última chance de respirar fundo e visitar o Pavilhão do Anhembi - este deve ser um dos dias mais concorridos do evento, mesmo com a ausência de estrelas internacionais, como Kiera Cass e Cassandra Clare, que na semana passada causaram frisson.

A programação deste domingo começa a ficar interessante às 11 h, quando o jornalista Laurentino Gomes, 2 milhões de livros vendidos, fala, na Arena Cultural, sobre sua “nova” vocação: a história. Autor dos sucessos 1808, 1822 e 1889, Gomes lança, na feira, uma edição revista e atualizada do seu primeiro livro. A ideia é bater um papo com o público sobre os motivos de estudar história hoje, no Brasil.

“Ela é ferramenta de construção de identidade, só olhando para trás é que conseguimos entender o presente”, diz, brincando com o fato de que a vocação de “professor de história” foi descoberta com o primeiro livro, em 2007 - antes disso, ele já tinha construído carreira consolidada no jornalismo.

“É a primeira vez que o Brasil vive 30 anos de democracia republicana sem ruptura, pela primeira vez, os brasileiros estão sendo chamados a tomar conta do futuro”, comenta, falando sobre as eleições de outubro e ressaltando a importância das decisões que serão tomadas nas urnas. Decisões, segundo ele, relacionadas à própria ideia de Estado, a políticas públicas duradouras, etc.

Autor de livros recheados de histórias pitorescas sobre os líderes que conduziram nossa história, Gomes acredita que o Brasil falhou na tarefa de construir cidadania e sublinha dois aspectos que ainda hoje atrapalham o País. “Primeiro, o brasileiro ainda tem uma perspectiva monárquica do poder, coloca todas suas esperanças na conta do governo, mas, ao mesmo tempo, despreza a atividade política, o que é antidemocrático e antirrepublicano”, lamenta. “Segundo, no dia a dia se pratica a mesma corrupção que tanto se critica no governo - furamos fila, andamos pelo acostamento, tentamos enganar o guarda de trânsito”, exemplifica.

O título mais recente de Gomes é justamente 1889, publicado em 2013 pela Globo Livros - que ele ainda está na estrada divulgando e discutindo. Por isso, não tem nada novo previsto, pelo menos no curto prazo. “Gosto de trabalhar com o período do século 19, então talvez o próximo seja algo sobre a Inconfidência Mineira, sobre a Guerra do Paraguai, sobre a escravidão, mas ainda não decidi”, conta.

Outro bate-papo da programação deste domingo que deve atrair fãs e leitores será às 15 h, com Thalita Rebouças e Luiza Trigo, também na Arena Cultural. No mesmo espaço, às 18 h, Miriam Leitão fala sobre sua obra jornalística e ficcional. Ela lançou, há pouco, o romance Tempos Extremos (Intrínseca).

Para quem procura um bom debate literário, a dica é a mesa A Reinvenção da Linguagem, às 16 h, no Salão de Ideias, que reunirá três autores cujas obras dialogam entre si. João Anzanello Carrascoza lançou este ano o romance Caderno de Um Ausente (Cosac Naify), em que um pai, João, escreve sobre ele e a vida para a filha que acaba de nascer. Alguns dados biográficos do protagonista se confundem com os do autor, assim como ocorre com Ricardo Lísias e seu Divórcio (Alfaguara). A história é contada pelo escritor Ricardo, que descobre a traição da mulher ao ler seu diário, e que encontra na corrida uma forma de não enlouquecer e de sobreviver. O personagem de O Mendigo Que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam (Record), de Evandro Affonso Ferreira, não tem a mesma sorte. Deixado pela mulher, ele vai viver nas ruas e acompanhamos, por meio de sua narrativa delirante, sua espera pela mulher e pela chegada da loucura. / COLABOROU MARIA FERNANDA RODRIGUES

PROGRAMAÇÃO

Teatro para as crianças 

Às 11 h, a Cia. de Feitos apresenta a peça O Pato, a Morte e a Tulipa, no Anfiteatro

Aula-show

Também 11 h, no Cozinhando com Palavras, o doutor em teledramaturgia Mauro Alencar e o ator Dalton Vigh conversam sobre gastronomia nas novelas

Choro, samba e bossa

Com João Poleto, Ruy Weber e por Roberta Valente, o Trio Mandando Bala faz um passeio pela música brasileira, às 12 h, na Praça de Histórias da Bienal

Papo de Garotas 

As escritoras Thalita Rebouças (Ela Disse, Ele Disse) e Luiza Trigo (Carnaval) conversam sobre sua produção literária na Arena Cultural, às 15 h 

Reinventando a linguagem 

Três dos mais destacados autores da literatura brasileira contemporânea - João Carrascoza (foto), Ricardo Lísias e Evandro Affonso Ferreira - conversam sobre experimentações e recursos literários na narrativa atual, com mediação do crítico literário Manuel da Costa Pinto

Dança

Parceria da bailarina e coreógrafa Margô Assis com o artista plástico Eugênio Paccelli Horta, o espetáculo Livro pretende estabelecer uma relação entre o corpo e o objeto. 17 h, no Anfiteatro

Miriam Leitão

Jornalista especializada na rotina econômica, a escritora lançou há pouco tempo o romance Tempos Extremos, em que trata de dramas familiares e históricos, da escravidão à ditadura. Ela fala às 18 h, na Arena Cultural

Teatro

Com texto de Lourenço Mutarelli, a peça A Hora Errada, dirigida por Tomás Rezende, conta a história de um casal em uma sociedade distópica. 20 h, Anfiteatro

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