Walter Craveiro
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Três mulheres vencem o Prêmio Oceanos de Literatura

O anúncio foi feito no início da tarde desta quinta-feira, 5, no Itaú Cultural; Djaimilia Pereira de Almeida ganhou R$ 120 mil

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2019 | 12h29
Atualizado 05 de dezembro de 2019 | 16h16

A escritora portuguesa nascida em Angola Djaimilia Pereira de Almeida, com Luanda, Lisboa, Paraíso, venceu o  Prêmio Oceanos 2019. A portuguesa Dulce Maria Cardoso, com Eliete, ficou em segundo lugar. E a brasileira Nara Vidal ficou em terceiro com Sorte. Elas ganharam, respectivamente, R$ 120 mil, R$ 80 mil e R$ 50 mil.

Um livro sobre diáspora e solidão, como destacou a escritora Maria Esther Maciel na apresentação feita no Itaú Cultural no final da manhã desta quinta-feira, 5, Luanda, Lisboa, Paraíso, publicado pela Companhia das Letras, é o segundo romance de Djaimilia - autora de Esse Cabelo. A obra conta a história de Cartola e seu filho Aquiles, que deixam Angola nos anos 1980 para procurar tratamento para uma má-formação no pé da criança em Portugal. Um olhar sobre a colonização e a descolonização.

Dulce Maria Cardoso, autora também de O Retorno, que conta sobre a volta dos portugueses à terra natal depois de anos vivendo em Angola, até o fim da colonização, ficou em segundo lugar no Oceanos com Eliete, lançado pela Tinta da China. O novo livro é narrado em primeira pessoa e intercala memórias de uma infância sob o regime de Salazar e da revolução com o curso da vida que segue.

Sorte é o romance de estreia de Nara Vidal, brasileira radicada em Londres, onde administra uma livraria especializada em literatura brasileira. Publicado pela Moinhos, fala sobre a vinda ao Brasil de uma família fugindo da fome da batata da Irlanda em 1827. "Dedico este prêmio a todas as mulheres que não têm voz e não têm vez, que são apagadas, massacradas pela História que insistem em nos contar. Mulheres que são do passado, do presente e infelizmente, mulheres do futuro", disse Nara, em vídeo transmitido ao final do anúncio.

"Ficar em terceiro lugar num prêmio tão importante como Oceanos é uma alegria inimaginável. Sorte é o meu primeiro romance e, honestamente, estava feliz de ter sido semifinalista. Quando soube que as três únicas mulheres foram as vencedoras confesso que me senti fazer parte de algo muito bonito e significativo, especialmente se levarmos em conta as lutas diárias contra os que insistem em nos diminuir. E eu como a única brasileira este ano sinto grande orgulho em representar editoras pequenas e importantes como a Moinhos. Uma honra fazer parte desse trio", disse a autora ao Estado.

O Prêmio Oceanos recebeu este ano a inscrição de 1.467 livros de 314 editoras de 10 países. Chegaram à final 9 romances e um livro de contos – o prêmio não é dividido em categorias. Foram 5 títulos de autores brasileiros, 4 de portugueses e um de um escritor africano.

Os outros livros que concorreram ao Oceanos 2019 foram Alguns humanos, de Gustavo Pacheco; A tirania do amor, de Cristovão Tezza; Ensina-me a voar sobre os telhados, de João Tordo; Meio homem metade baleia, de José Gardeazabal; O imortal, de Mauricio Lyrio; O preto que falava iídiche, de Nei Lopes; e Sua Excelência, de corpo presente, de Pepetela.

O júri foi formado pelos críticos literários Eliane Robert Moraes e Ítalo Moriconi, pelas escritoras Maria Esther Maciel e Veronica Stigger, do Brasil; pela jornalista Ana Sousa Dias, pelo poeta Daniel Jonas e pelo crítico literário Manuel Frias Martins, de Portugal; e pelo crítico literário Francisco Noa, de Moçambique. Em nota, eles destacaram que entre os títulos selecionados “figuram sobretudo narrativas que tratam dos temas da desterritorialização, da inquietação existencial e da sexualidade”.

Os curadores são Adelaide Monteiro, Isabel Lucas, Selma Caetano e Manuel da Costa Pinto. O Oceanos é realizado em parceria com o Banco Itaú, República de Portugal, CPFL Energia e tem o apoio do Itaú Cultural, Instituto CPFL e Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde.

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