Câmara Municipal de Varzim
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'Torto Arado', de Itamar Vieira Júnior, vence mais um: o Prêmio Oceanos 2020

Djaimilia Pereira de Almeida e Maria Valéria Rezende ficaram em segundo e terceiro lugar

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

18 de dezembro de 2020 | 17h01

O romance Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior, se consagrou na tarde desta sexta-feira, 18, como o grande vencedor do Prêmio Oceanos 2020. O livro já havia sido premiado no Jabuti e no Prêmio Leya de Literatura, em Portugal, onde foi publicado primeiro. A Visão das Plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida, ficou em segundo lugar, e Carta à Rainha Louca, de Maria Valéria Rezende, acabou em terceiro.

O Oceanos encerra a temporada de premiações literárias do ano, e os vencedores foram anunciados em uma cerimônia virtual apresentada pelos curadores do Prêmio, Selma Caetano, Manuel da Costa Pinto e Adelaide Monteiro, de Cabo Verde.

O Oceanos é realizado em três etapas de votação até chegar aos vencedores. Ao todo, foram 6.064 leituras realizadas pelos três júris que se sucederam na seleção de semifinalistas, finalistas e vencedores. O livro vencedor recebe R$ 120 mil; o segundo colocado, R$ 80 mil, e o terceiro, R$ 50 mil.

Torto Arado é uma história de amor à terra, por conta de meu trabalho como servidor, com camponeses, trabalhadores rurais, indígenas, ribeirinhos, comunidades tradicionais”, explicou Vieira Júnior, em vídeo. “Pude ouvir inúmeras vezes sobre a relação que eles mantinham com a terra. (...) Foi assim que surgiu essas histórias narradas por duas irmãs. Aos poucos elas vão se descobrindo herdeiras da diáspora, e que suas vidas tão marcadas por desigualdades têm um passado em comum que vai sendo construído ao longo da narrativa, a partir do confronto dessas personagens com a História.”

O autor afirma que o livro fala do Brasil do passado, mas se conecta diretamente com o País no presente. “O Brasil ainda é marcado pelo passado colonial, pelo sistema escravagista, que deixou como legado vulnerabilidade de pessoas do campo. Trabalho explorado, suas vidas exploradas, tocadas de uma forma muito dura. Esse é o Brasil de hoje, um País anacrônico que avança e retrocede, em outros sentidos permanece.”

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