Tom Wolfe diz que 'romance está morrendo rapidamente'

Para o autor, poetas e escritores deveriam 'sair de seus quartos e ver as diferentes coisas do mundo'

EFE

05 Maio 2008 | 14h39

O escritor norte-americano Tom Wolfe assegurou em Buenos Aires que "o romance está morrendo rapidamente", e considerou que, para o desenvolvimento deste gênero, é necessário que os autores se dediquem à vida cotidiana.   "Estamos em um período no qual o romance rapidamente está morrendo, está se suicidando. Os jovens escritores dos Estados Unidos tentaram copiar (o escritor argentino) Jorge Luis Borges, mas não eram Borges", assinalou o autor, durante uma conferência em Buenos Aires, no domingo, 4.   Durante a conversa, realizada no Museu de Arte Latino-americano de Buenos Aires, Wolfe considerou que os poetas "devem sair de seus quartos e averiguar as diferentes coisas que há no mundo" porque assim "vão tropeçar com coisas que nunca pensavam que poderiam ver".   "A não ser que saiam e as vejam, nunca as conhecerão. Os detalhes se encontram quando um submerge na vida do outro", ressaltou.   "Nossas vidas estão cruzadas por nossas psicologias e pelo contexto social. As duas coisas são extremamente importantes", ressaltou o escritor e jornalista durante a conferência "Novo Jornalismo: Uma Conversa com Tom Wolfe".   Internet   O autor de A Fogueira das Vaidades indicou ainda que o jornalismo "não vai morrer, embora as pessoas só leiam informações pela internet, onde as notas devem ser mais curtas".   "Temos meios de comunicação elétricos há mais de 160 anos, desde o telégrafo até a internet. Mas todas as idéias importantes que mudaram os rumos surgiram da palavra impressa", destacou Wolfe durante a conversa, organizada pela Embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires.   Ele ressaltou, no entanto, que muitos editores pensam que tudo tem que estar condensado, e advertiu que "há muitas revistas que acham que o Novo Jornalismo - que incorpora elementos da literatura - ocupa muito espaço, além de ser muito caro".   Segundo Wolfe, o Novo Jornalismo contempla quatro pontos compostos pelos relatos cena por cena, o uso preciso do diálogo, a anotação dos detalhes e o ponto de vista de alguns dos personagens em cada cena. "É uma definição muito técnica. Permanece dentro dos limites do jornalismo, mas utiliza os elementos que tornaram muito popular a literatura", assinalou o escritor, que chegou à Argentina para participar da Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, uma das mais importantes da América Latina.   Neste sentido, o autor de "Eu Sou Charlotte Simmons" manifestou que "não há uma técnica para a crônica, mas sim uma atitude".   "Não se aprende a ser cronista em uma escola de jornalismo. Se os senhores têm a informação que eu necessito, mereço que vocês me dêem tal notícia. Todos temos uma compulsão pela informação. E um cronista tem que estar disposto a abordar qualquer assunto", definiu.

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