Melissa Young
Melissa Young

T. J. Newman reflete sobre vulnerabilidades de um avião no thriller ‘Em Queda’

Americana, ex-comissária de bordo, é a autora de livro que fala sobre avião sequestrado à distância por terrorista

Matheus Mans, Especial para o Estadão

14 de dezembro de 2021 | 20h00

Bill, um piloto de avião, está nos ares. Ao lado do colega co-piloto, comanda a aeronave lotada de passageiros para um voo doméstico, dentro das fronteiras dos Estados Unidos. Até que recebe um e-mail de sua esposa, Carrie, que vai mudar sua vida: ela e os dois filhos foram sequestrados. O preço do resgate? Derrubar o avião, matando todos dentro da ave de aço. Se Bill não fizer isso, o sequestrador irá matar a esposa e os dois filhos.

Essa história, que mistura tons de thriller doméstico com Velocidade Máxima, veio da mente criativa e original da escritora T. J. Newman. Livro de estreia, Em Queda nasceu da união de dois mundos que ela conhece bem: a literatura e a vida a bordo de um avião. Afinal, ela começou sua vida como vendedora de livros e depois trabalhou ao longo de 10 anos como comissária de bordo nos EUA para as companhias aéreas Virgin America e Alaska Airlines. 



Segundo ela, a ideia de Em Queda surgiu durante o trabalho, em um desses voos noturnos. “Estava parada na cabine, olhando para os passageiros. Estava escuro, todo mundo dormia. E, pela primeira vez, um pensamento me ocorreu: suas vidas, nossas vidas, estavam nas mãos do piloto”, disse ela ao Estadão. “Com tanto poder e responsabilidade, quão vulnerável se torna um piloto comercial? Não conseguia afastar esse pensamento”.

Foi aí que, alguns dias depois, ela resolveu jogar esse pensamento no colo de um piloto. Perguntou o que ele faria, qual decisão tomaria, caso sua família fosse sequestrada e, assim como em Em Queda, o preço do resgate fosse a vida dos passageiros. Neste momento, ela percebeu que era uma questão complicada. “A expressão dele me apavorou. Ele não tinha uma resposta. E eu sabia que tinha os ingredientes para meu primeiro livro”.



 

Criação

Depois dessa conversa com um piloto, Newman começou o processo de escrita. Como era comissária de bordo e não tinha garantido espaço literário até então, juntou as duas funções. Enquanto passageiros dormiam na cabine, a americana começou a escrever as primeiras páginas de Em Queda. Para a autora, esse foi um processo quase que natural pensar nesses detalhes sobre o sequestro de um avião enquanto estava ali, nos céus.

“Pilotos e comissários de bordo passam muito tempo estudando acidentes e incidentes anteriores, ou potenciais. Vemos o que uma equipe fez certo e o que uma equipe fez de errado”, explica. “Assim, se nos depararmos com uma situação, já consideramos o que faríamos e deveríamos fazer. É assim que somos treinados para pensar. Portanto, trabalhar nessa história no trabalho parecia um exemplo intensificado desse tipo de pensamento”.

Também foi pensando em sua rotina e em sua vida que Newman criou os personagens. Bill, o piloto, é o personagem que cria laços com o leitor mais rapidamente - é honesto, verdadeiro, sensível. Sam, o terrorista que sequestrou o avião à distância e a família desse piloto, também escapa da maioria dos estereótipos desse tipo de personagem. Ele tem uma história, um contexto, até sua chegada ali. Não são só invocações religiosas.



No entanto, Newman conta que o que mais gostou foi do desafio de criar, justamente, os comissários de bordo da história, responsáveis por manter a calma dos passageiros nessa situação extrema. Eles são o lado razoável da trama. “Eles eram os mais fáceis de dar vida, provavelmente porque eu já trabalhei como comissário de bordo. Era como se eles simplesmente entrassem [naquela história] totalmente formados”, explica a escritora. 

Agora, Em Queda toma o rumo natural das coisas: os direitos já foram comprados pela Universal Pictures, que está desenvolvendo a produção. “Eu gostaria de poder dizer mais ou qualquer coisa sobre isso, mas jurei segredo”, diz Newman. “Mas devo dizer que ainda estou impressionado com o fato de que esta pode realmente ser uma história que será contada na tela grande algum dia. Só isso já supera os meus sonhos mais incríveis”.

 

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