Christoph Soeder/Pool/AFP
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Svetlana Aleksiévitch, vencedora do Nobel, escreve livro sobre 'revolução com um rosto de mulher'

Svetlana Aleksiévitch engrossou êxodo em massa de oponentes do presidente Lukashenko a partir de uma repressão que colocou milhares na prisão e provocou críticas em toda a Europa

Thomas Escritt, Reuters

12 de junho de 2021 | 12h55

Svetlana Aleksiévitch, que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura por sua narração oral do final da União Soviética, está dedicando seu novo livro à "revolução com um rosto de mulher" em sua nativa Belarus na esteira da eleição contestada do ano passado.

Aleksiévitch, de 73 anos, recebeu o Nobel em 2015 por seus relatos concentrados no atoleiro soviético no Afeganistão e no desastre nuclear de Chernobyl.

No ano passado, ela ganhou uma cadeira na primeira fileira dos protestos em massa que eclodiram em Belarus depois que o presidente, Alexander Lukashenko, clamou uma vitória arrasadora na eleição presidencial.

Quando milhares foram às ruas insistindo que não ele, mas Sviatlana Tsikhanouskaya, havia vencido a votação, Aleksiévitch, vista como a intelectual mais destacada de seu país, uniu-se ao conselho de líderes da oposição, que coordenava a onda de protestos.

"Ao longo daqueles meses, conseguimos fazer algo que não havíamos podido fazer durante centenas de anos", disse ela à Reuters em Berlim, onde vive exilada desde setembro, sumariando o tema do livro que está escrevendo. "Tornamo-nos uma nação".

Aleksiévitch engrossou um êxodo em massa de oponentes de Lukashenko, muitos dos quais foram induzidos a partir por uma repressão que colocou milhares na prisão e provocou críticas em toda a Europa.

Mas, falando antes da estreia de Courage, documentário de Aliaksei Paluyan sobre os protestos de rua, no Festival Internacional de Cinema de Berlim, Aleksiévitch disse que os manifestantes fizeram algo único e que podem contar que um dia triunfarão.

"Nossa revolução tem um rosto de mulher", disse ela, falando com orgulho da forma como as mulheres, incluindo Tsikhanouskaya, que se refugiou na Lituânia, e sua aliada Maria Kolesnikova, que está presa em Belarus, lideraram os protestos e se juntaram a milhares de mulheres nas ruas.

 

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