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Sucesso nos Estados Unidos, obra de B. J. Novak aposta no bom humor

Livro não tem figuras, mas é cheio de graça

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2015 | 03h00

RIO - Um livro infantil sem ilustrações. Trinta e duas páginas de texto – poucas frases, letras grandes, mas só palavras, sem apelo visual: “Você pode até achar que um livro sem figuras não vai ter graça nenhuma. Talvez pareça meio chato, meio sério. Só que...”. A graça de O Livro Sem Figuras, sucesso do ator e roteirista norte-americano B. J. Novak que a Intrínseca está lançando em português, está na pegadinha com o adulto que o lê para a criança. Ao se deparar com palavras esdrúxulas, como “borogotongo” e “uengarengas”, ao “assumir” que sua cabeça “é feita de pizza de goiaba”, que “come mosquito frito” e toma “lama com café”, o leitor tem que se desprender das amarras do senso do ridículo; assim, diverte sua plateia. 

A ideia lhe veio quando Novak lia para o filho de 2 anos de seu melhor amigo. “Existe algo muito engraçado nessa experiência, que é o fato de o adulto ser forçado a falar todas as palavras do livro. Isso dá à criança um grande poder sobre o adulto”, conta Novak, por e-mail. “Aí pensei que seria uma grande oportunidade de se fazer comédia obrigando os pais a falar coisas bobas. Não apenas os pais têm chance de serem bobos, mas também a criança tem o prazer de se sentir poderosa.”

Roteirista, produtor e ator da superpremiada série televisiva The Office, estrelada por Steve Carrel e transmitida nos Estados Unidos entre 2005 e 2013, Novak tem 35 anos e começou a carreira se apresentando em stand-ups em Los Angeles. Filho de um escritor, ele se formou em literatura em Harvard. Cresceu fascinado pela obra de autores como Dr Seuss e Shel Silverstein, com gosto especial pelos títulos que tinham algum tipo de subversão. No mercado editorial contemporâneo, cita Aperte Aqui (Ática), do francês Hervé Tullet, como um exemplo de obra instigante voltada ao público infantil: pensado para a geração criada na base do touchscreen (a tela tátil dos tablets e smartphones), o livro é recheado de bolinhas coloridas que convidam à interação.

Claro que Novak não rechaça os livros ilustrados; só viu na supressão das imagens um caminho para cativar os pequenos por outro viés. “É uma chance de desenvolver na criança o encanto pela linguagem, de fazer com que a palavra escrita seja encarada como uma amiga. Foi um desafio: como fazer um livro de capa muito simples, e que ainda assim faça com que a criança ria com ele mais do que com qualquer outro livro que tenha pego na prateleira? Achei que seria uma grande vitória da palavra escrita e da leitura uma criança de 3, 4 ou 5 anos amar um livro sem figuras.”

E o retorno, de pais, crianças e vendas, o tem feito sorrir: voltado para a faixa dos 4 aos 8 anos, O Livro Sem Figuras entrou para a lista de mais vendidos do New York Times, que o destacou pela inventividade: “com uma premissa inovadora, B. J. Novak mostra que as palavras têm, por si só, carga sensorial e criativa de sobra”, publicou o jornal. 

Desde o lançamento, há oito meses, ele está bem posicionado nos rankings de vendas dos EUA e vem sendo traduzido. “É incrível e gratificante o retorno das crianças, porque elas não mentem. Então, quando uma criança corre na minha direção, me abraça as pernas e diz que é o livro mais legal que ela já leu, é maravilhoso”, diz Novak. “Os pais também estão agradecidos. Muitos não se dão conta de como é fácil fazer graça para os filhos.” O e-book brasileiro tem versões narradas pela atriz Maria Clara Gueiros e pelo ator Lúcio Mauro Filho.

O LIVRO SEM FIGURAS

Autor: B. J. Novak

Tradução: Índigo

Editora: Intrínseca (48 págs., R$ 29,90 impresso, R$ 19,90 e-book)

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