Stacey Cramp/The New York Times
Stacey Cramp/The New York Times

Stephen King está em alta com novo livro, HQ e relançamentos

'Belas Adormecidas', escrito em parceria com seu filho Owen King, chega no ano em que duas obras do autor foram adaptadas no cinema

Pedro Rocha, Especial para o Estado

14 Outubro 2017 | 06h00

Nesta segunda, 16, chega às lojas Belas Adormecidas, novo livro de Stephen King. Escrito em parceria com o filho caçula, Owen, a obra é lançada em um dos momentos de maior popularidade em sua carreira – que sempre esteve em alta com clássicos marcantes na literatura e adaptados para o cinema, como O Iluminado e Carrie

O momento tão pop é por conta do filme It – A Coisa, baseado no livro de 1986, que estreou em setembro e quebrou o recorde de bilheteria para longa de terror. Só no Brasil, como efeito do longa, o livro teve aumento de vendas de 290%, entre janeiro e setembro de 2017, em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo a editora Suma de Letras, que publica a obra no País. Ao todo, livros de King na Suma também tiveram aumento nas vendas de 40% nos mesmos períodos. 

Próxima aposta, o lançamento de Belas Adormecidas será simultâneo com os EUA, algo nem sempre possível para o mercado brasileiro. “Tivemos um prazo pequeno, de três meses, precisei de uma dedicação maior”, diz a tradutora Regiane Winarski, fã do autor que já traduziu outras sete obras dele, como o próprio It e Joyland.

Críticas como a do New York Times não aprovaram a parceria entre Stephen e Owen – “prosa irreconhecível”. Winarski diz não ter estranhado, mas admite que pode ser perceptível o peso da escrita a quatro mãos. Ela confessa também que o novo livro não é o tradicional King. “Já traduzi outros livros de parceria em que senti mais a diferença, mas dá para ver que há mais alguém ali.” Para a tradutora, o que mais chamou sua atenção foi um King “bonzinho”. “Ele às vezes é muito cruel com os personagens, mata sem pena, mas nesse não está tão sangrento.”

Já acostumada com a escrita do autor, Winarski revela que o principal desafio sempre é adaptar para o português a linguagem coloquial e cheia de palavrões. Outro tradutor de King, Érico Assis, concorda. “Ele tem um jeito particular de usar adjetivos de ênfase e também palavrões, que acaba caracterizando e dizendo muito sobre cada personagem”, explica.

É de Érico a tradução de Creepshow, que chega às lojas no fim de outubro pela editora Darkside. A obra é uma graphic novel criada em 1982 pelo ilustrador Bernie Wrightson com base no roteiro do filme de mesmo nome, escrito e estrelado por King, que reúne alguns contos de terror do autor. 

Além de ter que fazer jus ao texto, a versão brasileira chega pouco tempo após a morte de Wrightson, em janeiro. “Honra e desafio”, define Assis. “Como em qualquer tradução de HQ, tenho que me ater a palavras e desenhos, entender como se relacionam no original”, explica. “Fiz isso em Creepshow, mas como havia mais texto do que num quadrinho contemporâneo, minha atenção maior foi ao estilo, que misturam tom de gibi das antigas e prosa stephenkinguiana.”

Para celebrar os 70 anos de King, completados em 21 de setembro, a Darkside relançou ainda o livro Stephen King – A Biografia: Coração Assombrado, de Lisa Rogak, numa edição especial para colecionadores.

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