Rebecca Smeyne/The New York Times
Rebecca Smeyne/The New York Times

Sonny Mehta, o ‘Fred Astaire da edição’, morre aos 77 anos

À frente da prestigiosa Knopf, editor construiu uma identidade própria com curiosidade e grandes nomes

Hillel Italie, AP

02 de janeiro de 2020 | 19h16

NOVA YORK — Sonny Mehta, o editor e astuto presidente da Alfred A. Knopf, guia de uma das editoras mais prestigiosas do mundo para novos patamares com uma mistura da literatura premiada de nomes como Toni Morrison e Cormac McCarthy com best-sellers como 50 Tons de Cinza e Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, morreu aos 77 anos.

Mehta, marido da escritora Gita Mehta, morreu na segunda-feira em um hospital em Manhattan. De acordo com a Knopf, a causa foi complicações da pneumonia.

“As contribuições de Mehta para o mundo das letras e da edição não têm precedentes”, diz um comunicado da editora. “Seus padrões exigentes – editorial, produção, design, marketing e comunicação – foram um farol não só para a indústria do livro.” Um sucessor deve ser nomeado em algum ponto de 2020.

Mehta, barbudo e fumante compulsivo, falava de maneira cuidadosa e escolhia as palavras sabiamente, auxiliando a Knopf com sucesso mesmo quando a indústria enfrentou mudanças ásperas de consolidação corporativa, a queda de milhares de livrarias independentes e a ascensão dos livros digitais.

Editor e publisher bem sucedido desde a metade dos seus 20 anos, ele sucedeu o reverenciado Robert Gottlieb em 1987 como apenas o terceiro editor-chefe da Knopf nos seus 72 anos de existência e nas décadas seguintes moldou sua própria ficha de sucesso crítico e comercial. Ele continuou a publicar autores celebrados contratados por Gottlieb, incluindo Morrison e Robert Caro, adicionando novos talentos como Chimamanda Ngozi Adichie e Karen Russell.

A Knopf também foi a casa de alguns dos livros mais vendidos dos últimos tempos. Em 2008, Mehta adquiriu os direitos nos EUA de uma trilogia de ficção policial de um jornalista sueco, a saga Millenium de Stieg Larsson, que vendeu dezenas de milhões de cópias. Em 2012, o selo Vintage ganhou um leilão disputado por uma trilogia erótica que naquele tempo só podia ser lida online, os romances 50 Tons, de E.L. James. 

Quando Mehta ganhou um prêmio por sua trajetória do Center for Fiction, tributos foram escritos por Joan Didion, Haruki Murakami e Anne Tyler, que elogiou “sua precisão” e “confiança hábil” e o chamou de “o Fred Astaire da edição”.

O catálogo da Knopf frequentemente refletia a própria curiosidade de Mehta. Numa mesma temporada, ele poderia lançar ficção de Toni Morrison e Gabriel García Márquez, romances policiais de P.D. James e James Ellroy, poesia de Anne Carson e Philip Levine, história de John Keegan e Joseph Ellis, humor de Nora Ephron e memórias de Bill Clinton ou Andre Agassi. 

Filho de um diplomata indiano, Mehta viveu em diversos lugares, de Genebra ao Nepal, antes de se formar na universidade de Cambridge em história e literatura inglesa. Ele precisou de pouco tempo para deixar uma marca no cenário literário de Londres introduzindo na Inglaterra as profanidades de Hunter S. Thompson. Com a Pan Books, lançou trabalhos de autores em ascensão, como Ian McEwan e Salman Rushdie, além de contratar diversos bestsellers, como Douglas Adams. Ele foi a escolha pessoal de Gottlieb para substituí-lo.

“Num dia bom, ainda estou convencido de que tenho o melhor emprego do mundo”, ele disse para a Vanity Fair em 2016, explicando que tinha terminado a leitura de uma novela de Graham Swift. “Eu abri o livro e não sabia o que esperar, e o li numa sentada bem aqui no escritório, completamente hipnotizado. Às vezes, o editor acha algo novo e fica simplesmente, ‘uau’.”/ TRADUÇÃO GUILHERME SOBOTA

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