Silvana Garzaro/ESTADAO
Silvana Garzaro/ESTADAO

‘Serrote’ completa 10 anos com história única

Revista de ensaios do Instituto Moreira Salles comemora aniversário com livro sobre o fazer ensaístico, gênero ainda pouco popular no Paí

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

21 Novembro 2018 | 06h00

Inserida numa tradição brasileira de periódicos, mas ao mesmo tempo com uma trajetória única ao unir ensaios, ficções e artes visuais, a revista serrote completa 10 anos e chega ao número 30 agora em novembro. Ao mesmo tempo, o Instituto Moreira Salles, casa da publicação, lança o livro Doze Ensaios Sobre o Ensaio, uma antologia que reúne textos publicados na história da revista sobre o fazer ensaístico – fato presente na linha editorial da serrote desde o início.

Para celebrar a data, o Instituto Moreira Salles (IMS) ainda organiza um debate nesta quarta-feira, 21, em sua sede paulista com três colaboradores da revista: a socióloga Angela Alonso, o escritor e colunista do Estado Milton Hatoum e o psicanalista Tales Ab'Sáber. A conversa entre os convidados começa às 19h30.

A antologia e a serrote #30 também serão lançadas no Rio de Janeiro, no dia 4 de dezembro, às 19h, na Livraria da Travessa de Ipanema, quando conversam a crítica literária Beatriz Resende e os filósofos Carla Rodrigues e Eduardo Jardim – todos já tiveram textos publicados na serrote.

O novo livro, segundo o editor Paulo Roberto Pires (organizador da seleção e o profissional à frente da serrote há oito anos), busca “oferecer uma sequência de reflexões que procuram cercar, sem imobilizar, um objeto que vive de escapar às definições”: o ensaio, gênero de pouca tradição em língua portuguesa, mas amplamente aceito e divulgado em inglês.

Entre os textos selecionados, estão resgates históricos, como o panorâmico O Ensaio Literário no Brasil, de Alexandre Eulálio e Essai, Essay, Ensaio, do americano John Jeremiah Sullivan e explorações teóricas do gênero, como os clássicos Sobre a Essência e a Forma do Ensaio: Carta a Leo Popper, de Gyorgy Lukács, e O Ensaio e sua Prosa, de Max Bense. César Aira, Lucia Miguel Pereira e Jean Starobinski são outros autores que aparecem no livro.

Sobre a revista, o editor Paulo Roberto Pires diz que a ideia da serrote sempre foi “ser um espaço de circulação de ideias independente e arejado”. A publicação é subvencionada pelo Instituto Moreira Salles: de outra forma, dependendo de anúncios e assinaturas, o modelo tradicional de sustentação de periódicos, provavelmente não existiria. Criada em 2009 a partir de uma ideia do superintendente do IMS, Flávio Pinheiro, editada até o número 5 pelo jornalista e editor Matinas Suzuki Jr., e depois por Paulo Roberto Pires, a serrote já publicou 379 ensaios.

Operando com uma lógica de livro, Pires considera que o principal desafio da revista é colocar discussões duradouras. “Quando vejo o número de ensaios espalhados em bibliografias de estudos acadêmicos, ou teses sobre a revista, considero uma vitória. Mas entendo que o impacto aconteça aos poucos”, diz o editor da serrote.

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