Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Sérgio Rodrigues e Everaldo Norões vencem prêmio de literatura

Cerimônia foi realizada no Rio de Janeiro

Maria Fernanda Rodrigues e Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2014 | 21h01

Atualizado às 21h45

RIO - O jornalista Sérgio Rodrigues é o grande vencedor do 12.º Prêmio Portugal Telecom, que anunciou seus vencedores na noite desta segunda-feira, 8, em cerimônia no Rio de Janeiro. Com O Drible (Companhia das Letras), ele ganhou na categoria romance (R$ 50 mil) - e seu livro ainda foi considerado o melhor desta edição do prêmio, o que lhe rendeu outros R$ 50 mil. Neste caso, ele concorreu com Everardo Norões, que ganhou em contos/crônicas com Entre Moscas (Confraria do Vento), e com o português Gastão Cruz, que teve Observação do Verão Seguido de Fogo (Móbile Editorial), premiado na categoria poesia. Os dois também ganharam R$ 50 mil cada um.

"Para mim, é o grande prêmio de literatura do Brasil. A gente está vivendo um momento muito rico da literatura brasileira e prêmios como esse são importantes nesse cenário. A literatura brasileira é um segredo nosso mas está sendo mais traduzida. É emocionante ver o Brasil se fazer conhecer. Meu livro tem uma dimensão política e fico querendo dar  uma nota política nessa hora, que é a da educação. A sociedade brasileira só vai dar um salto quando tiver educação pública de qualidade", disse Sergio ao receber o prêmio.

Aos 52 anos e com sete livros publicados, Sérgio Rodrigues foi finalista, este ano, dos principais prêmios literários - o Jabuti e o São Paulo. Deu mais sorte agora com sua história que entrelaça um drama familiar e o futebol. A ideia de O Drible, ele contou em entrevista quando o livro foi lançado, em 2013, surgiu primeiro num conto, que foi excluído de sua obra de estreia O Homem Que Matou o Escritor, de 2000, porque o autor viu que ele renderia algo maior. Outros títulos vieram ao longo dos anos, como Elza, A Garota, e nada dessa história sair do papel.

Em 2012 ele se obrigou a escrever e um ano depois o livro era lançado e virava sucesso de crítica e público. O Drible é narrada por um pai, Murilo Filho, um cronista esportivo que aos 80 anos é desenganado pelos médicos, e seu filho - de quem ele quer se reaproximar. O elo é o futebol. Em março, a obra será lançada na França, o que torna Sérgio Rodrigues um dos autores cotados para integrar a comitiva brasileira que participará do Salão do Livro de Paris, que terá o Brasil como país homenageado - o anúncio da lista será feito hoje pela manhã. Concorreram com Rodrigues Veronica Stigger, vencedora do Prêmio São Paulo, Carlos de Brito e Mello e Gonçalo M. Tavares.

Na categoria conto/crônica, o cearense Everardo Norões, de 70 anos, que também foi finalista do Jabuti, desbancou nomes como Luís Henrique Pellanda, Antonio Prata e Alexandra Lucas Coelho, e Entre Moscas, lançado discretamente, foi considerado o melhor livro do gênero publicado no Brasil em 2013. A obra traz contos sobre a desumanidade que o autor enxerga nas pessoas e nas relações atuais.

"Sou mais poeta do que contista, então ser premiado com um livro de contos é muito bom. Especialmente no ano do centenário de um dos maiores contistas brasileiro, pouco conhecido, que é Moreira Campos", afirmou Everaldo.

Já em poesia, o vencedor foi o português Gastão Cruz - podem concorrer autores lusófonos com obras editadas aqui e nesta edição quatro portugueses chegaram à final. Aos 73 anos, ele venceu com Observação do Verão Seguido de Fogo, que reúne seus dois livros mais recentes. No páreo estavam Ana Luísa Amaral, Zuca Sardan e Guilherme Gontijo. "Eu vejo esses prêmio como uma atenção especial dada à poesia portuguesa. Tendo eu começado a publicar no remoto ano de 1961, a minha poesia surgiu num momento de importância na poesia portuguesa que são aquelas décadas de 40,50 e 60.", cravou Gastão.

GANHADORES

Romance

O Drible (Companhia das Letras), do brasileiro Sérgio Rodrigues

Conto/Crônica

Entre Moscas (Confraria do Vento), do brasileiro Everaldo Norões

Poesia

Observação do Verão Seguido de Fogo (Móbile Editorial), do português Gastão Cruz

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