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Secretária Permanente da Academia Sueca, do Nobel de Literatura, deixa cargo após escândalos

Sara Danius anunciou nessa quinta-feira sua saída da instituição, que enfrenta denúncias de abuso sexual e vazamento de informações; outros três intelectuais abandonaram as cadeiras após a crise

O Estado de S.Paulo

13 Abril 2018 | 04h22

ESTOCOLMO – A Secretária Permanente da Academia Sueca, a escritora Sara Danius, anunciou que deixou o cargo nessa quinta-feira, 12, após uma reunião na qual foi discutida a crise que atravessa a instituição que concede o Nobel de Literatura. A organização enfrenta escândalos de abuso sexual e vazamento de informações.

Danius não revelou se sua saída foi resultado de uma votação entre os membros da Academia, e também não anunciou o nome de um possível sucessor. "Não posso entrar nisso, é confidencial. É a vontade da Academia e a aceito. Gostaria de seguir, mas há outras coisas para fazer na vida", disse Danius ao deixar a reunião.

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O encontro foi o primeiro a ser realizado desde a renúncia de outros três acadêmicos - Klas Östergren, Kjell Espmark e Peter Englund. O trio citou indiretamente que decidiram deixar a Academia após a instituição votar pela permanência da poetisa sueca Katarina Frostenson. O marido dela, o dramaturgo francês Jean-Claude Arnault, é acusado de abuso sexual e vazamento de informações.

Com as quatro últimas saídas, apenas 12 das 18 cadeiras da Academia Sueca estão ocupadas. Duas autoras boicotam há anos a instituição por outros motivos.

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Segundo a imprensa sueca, uma investigação externa recomendou denuncia contra o Fórum, clube literário comandado por Arnault, por irregularidades no financiamento recebido pela Academia Sueca.

O relatório dos investigadores alertava que Frostenson era coproprietária da empresa que controlava o clube do marido, o que violaria as regras de imparcialidade na concessão de auxílios da Academia, e que Arnault tinha acesso e vazado informações confidenciais, como os vencedores do Nobel de Literatura.

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Apesar do resultado das investigações, a proposta de expulsar Frostenson foi negada pela maioria dos membros da Academia.

Além das acusações de vazamento de informações, Arnault foi acusado de abusar sexualmente de  18 mulheres nas dependências da Academia Sueca. As denúncias foram divulgadas pelo jornal “Dagens Nyheter” em novembro do ano passado, em meio ao movimento #MeToo, que denunciava abusos sexuais contra mulheres.

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A academia cortou a relação privilegiada de Arnault e a Promotoria da Suécia abriu um inquérito para apurar as denúncias. //EFE

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