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Sara Danius deixa oficialmente a Academia Sueca, que concede Nobel de Literatura

Crise interna levou a afastamento da ex-secretária em abril de 2018

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2019 | 15h41

A ex-secretária da Academia Sueca Sara Danius deixou o cargo oficialmente nesta terça-feira, 26. Ela estava afastada do cargo desde abril de 2018, devido a uma histórica crise interna que envolvia escândalos sexuais, vazamento de informações e renúncias de vários membros. A Academia Sueca é a instituição é responsável pelo Nobel de Literatura

"A Academia estima que há razões objetivas para encerrar o secretariado de Sara Danius antes de tempo. Houve uma polêmica intensa na qual foram misturadas várias questões. A Academia lhe pede perdão no que lhe compete", afirma um comunicado da entidade. Ainda houve agradecimentos a Danius por sua contribuição ao impulsionar novas formas de pensar e a atrair mais interesse para a instituição que, pressionada pela Fundação Nobel, incentivou várias reformas dos estatutos e elegeu cinco novos membros.

Em outra nota, Danius disse ter proposto voltar a seu antigo cargo quando o secretário provisório, Anders Olsson, tiver de deixá-lo por razões de idade, mas a proposta foi negada pela Academia Sueca. "Foi então quando decidi deixar a Academia como membro passivo", disse Danius, que nos últimos meses só participou de uma reunião para facilitar o quórum e escolher novos membros.

Acadêmica desde 2013, Sara Danius se transformou, dois anos depois, na primeira mulher a ocupar o posto de secretária permanente, o mais importante da instituição, que sob seu comando viveu um período com eleições controversas para o Nobel de Literatura, como a do cantor americano Bob Dylan, em 2017.

Em novembro do mesmo ano, dezoito mulheres denunciaram no Dagens Nyheter, principal jornal sueco, abusos de uma ‘personalidade cultural’ próxima à Academia, depois identificada como o artista francês Jean-Claude Arnault, marido da poetisa e acadêmica Katarina Frostenson, também envolvida em um escândalo. Seu clube literário teria recebido apoio econômico da entidade, algo que descumpriria regras de imparcialidade. 

Desacordos sobre as medidas que deveriam ser tomadas sobre a situação de Frostenson desencadearam ondas de renúncias, trocas de acusações entre os dois grupos e o adiamento, pela primeira vez em sete décadas, da entrega do Nobel de Literatura.

Sara Danius terminou afastada, o que provocou manifestações e campanhas nas redes sociais, que apontavam a ex-secretária como suposta vítima do machismo da Academia.

A Academia Sueca deve comunicar nas próximas semanas o que ocorrerá com o Nobel de Literatura deste ano. / EFE

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