Sara Krulwich/The New York Times
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Salman Rushdie afirma: 'Não quero continuar sendo o escritor da fatwa'

Rushdie reivindica que sua obra não seja julgada pela condenação à morte emitida em 1989 pelo aiatolá Khomeini

EFE

18 de agosto de 2016 | 16h34

PARIS – O escritor britânico Salman Rushdie reivindicou numa entrevista seu direito a deixar de ser conhecido como o “escritor da fatwa”, para que não se julgue sua obra por essa condenação à morte decretada em 1989.

“Vivo tranquilamente em Nova York desde 2000 e não me aconteceu nada, exceto que as pessoas continuam vendo meu trabalho através do prisma da fatwa”, disse Rushdie ao semanário francês Les Inrockuptibles, reclamando “o direito de ser apenas um escritor”.

Em fevereiro de 1989, o então líder espiritual do Irã, aiatolá Khomeini, já falecido, emitiu um edito religioso (fatwa) no qual instava todos os muçulmanos a matar Rushdie após qualificar de blasfêmia seu livro Os Versos Satânicos.

O escritor teve de permanecer oculto até que em 1998 o governo do Irã retirou seu apoio à fatwa. Mas ano a ano, segundo Rushdie, há gente que sobe o prêmio por sua cabeça. Em fevereiro, vários meios estatais de comunicação iranianos elevaram a oferta para US$ 600 mil em dinheiro.

“De todo modo, não é dinheiro de verdade. O problema é que jornalistas ocidentais levam a sério, mas na realidade não ocorre nada”, afirmou.

Rushdie foi entrevistado por causa de seu último livro, Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites, no qual diz querer que certos elementos do Irã e do Paquistão, mundo do qual procede, “penetrem” no mundo em que vive atualmente, os Estados Unidos.

Para seu país de acolhida, disse esperar “uma derrota maciça” do republicano Donald Trump na eleição presidencial de novembro.

“No mínimo, Trump significa que suas ideias poderão voltar em cinco anos com um candidato mais forte”, enfatizou o também ensaísta, ressalvando que no momento não está “em pânico” porque acredita nas “muitas coisas positivas” da democrata Hillary Clinton. / Tradução de Roberto Muniz

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