MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
MARCOS DE PAULA/ESTADÃO

Salão do Livro de Paris tende a ampliar o mercado para autores do Brasil na Europa

E vice-versa; 35ª edição do evento começa nesta quinta-feira, 19, e pela 2.ª vez homenageia o País, fato inédito nas 3 décadas da feira

Andrei Netto, Correspondente - O Estado de S. Paulo

19 Março 2015 | 03h00

PARIS - Terra de 15 autores vencedores de prêmios Nobel de Literatura, a França presta tributo a partir desta quinta, 19, aos escritores brasileiros. Com um coquetel marcado para as 19h30, horário local (15h30 em Brasília), será aberta a 35.ª edição do Salão do Livro de Paris, um dos maiores eventos do gênero na Europa. É fato inédito que um país seja pela segunda vez o convidado de honra da feira, que visa a estreitar os laços entre os mercados editoriais dos dois países. 

A abertura será precedida de rara reunião de imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL) e da Académie Française, sua inspiradora, a ser realizada nesta quinta, 19, pela manhã. O “encontro de imortais” tem o mesmo objetivo do salão: reaproximar as duas casas e relançar o interesse pela literatura do Brasil na França. 

“Este encontro da ABL com a Académie Française reaproxima as duas instituições em torno da presença da cultura da França no Brasil e do fortalecimento da divulgação da cultura e da literatura do Brasil na França”, disse ao Estado o imortal brasileiro Domício Proença Filho, que representará o País ao lado de Geraldo Holanda Cavalcanti, presidente da ABL, Rosiska Darcy de Oliveira, Nélida Piñon, Ana Maria Machado, Sergio Paulo Rouanet, Marco Lucchesi e Antonio Torres. Também serão apresentadas versões bilíngues das antologias da poesia, prosa de ficção e de ensaio dos imortais da ABL.

À noite, será a vez de 44 autores brasileiros contemporâneos serem apresentados no Salão de Paris, que deve receber cerca de 200 mil pessoas entre sexta (20) e segunda (23). A participação do Brasil como país convidado será o principal dos cinco eixos da feira. Outros 22 autores poloneses oriundos de Varsóvia e da Cracóvia serão destacados, já que vêm das cidades homenageadas em 2015. 

Para os escritores, trata-se de uma janela para apresentar seu trabalho. Aos leitores, significa uma oportunidade de conhecer tradições literárias. Para editores, um fórum de debates e negociações sobre direitos autorias em um setor em plena crise e transformação. 

Desde a terça, 17, os escritores brasileiros que participarão do salão começaram a chegar à Europa, caso de Milton Hatoum e de Nélida Piñon, mas nenhum pôde tomar parte em eventos prévios por força de contrato com o Centro Nacional do Livro (CNL) da França, que custeia os convites. 

Para o grande público, o nome mais esperado, segundo os organizadores, é Paulo Coelho, um dos autores mais bem vendidos em todo o mundo. Mas se de um lado o interesse pelos mais conhecidos é inegável, de outro há expectativa na França pela descoberta de novos talentos, e não apenas na prosa de ficção. Entre os nomes citados pela imprensa estão Fabio Moon e Gabriel Bá, cujas obras, Daytripper e Deux Frères – esta última ilustrando o livro homônimo de Hatoum – têm público atento na França, apaixonada pelas “bandes déssinées”.

Além da participação do Brasil, o salão terá como destaque o diretor Roman Polanski, que vai palestrar sobre as relações entre cinema e literatura. O domingo, 22, também será um dia de gala, em que estarão reunidos os vencedores dos principais prêmios literários da França em 2014, caso por exemplo de Antoine Volodine, autor de Terminus Radieux, laureado com o Prêmio Médicis do ano passado. 

Brasileiros, franceses e estrangeiros que estarão em Paris terão como desafio enfrentar um cenário de quedas nas vendas de livros. Para Vincent Monadé, presidente do CNL, há uma “dinâmica de queda na leitura” que precisa ser interrompida. Uma pesquisa mostra que mesmo entre leitores franceses, contemplados com produção artística de altíssima qualidade – comprovada pelos 35 prêmios Nobel –, a tendência também é de desafeição pela leitura. Os dados falam por si: 77% dos entrevistados afirmam não ter tempo para ler, 33% afirmam ler cada vez menos e apenas 18% acreditam estarem lendo cada vez mais. Entre jovens de 15 a 24 anos o problema é ainda mais profundo: 45% leem cada vez menos. 

Mais conteúdo sobre:
Salão do Livro de Paris

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.