Roberto Bolaño é o vencedor da Copa do Mundo de Literatura

Chileno venceu a mexicana Valeria Luiselli na final, e já tinha eliminado 'Budapeste', de Chico Buarque, representante brasileiro na competição

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2014 | 16h50

Chegou ao fim a World Cup Of Literature (Copa do Mundo de Literatura), promovida pelo Three Percent, programa da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, voltado à difusão da literatura estrangeira no país. O campeão é o chileno Roberto Bolaño (1953-2003), que venceu a última partida contra uma escritora também latino-americana: Valeria Luiselli, mexicana e autora de Rostos na Multidão. O livro vencedor de Roberto Bolaño foi o impressionante Noturno do Chile.

O organizador da Copa e coordenador do Three Percent, Chad Post, escreveu na página que decidiu o título: “temos dois livros incríveis escritos em espanhol: um por um reverenciado, e já morto autor, outro por uma escritora iniciante; um por um homem, outro por uma mulher; um do Chile, outro do México; um focado numa voz narrativa singular, o outro trazendo algumas histórias que se misturam e se fundem; ambos publicados [nos EUA] por boas e bem respeitadas editoras independentes”.

A partida final – organizada em forma de votação pelos jurados que participaram de jogos anteriores da Copa – teve 26 votos, e acabou 17 a 9 em favor de Bolaño. Mas o placar “elástico” não representa bem o que foi o “jogo”. Muitos dos críticos, editores e jornalistas que foram os árbitros da final reconheceram a potência da literatura de Luiselli e se disseram satisfeitos com a presença de uma autora estreante na final do campeonato.

“Mais pessoas precisam ler Rostos na Multidão”, escreveu o mesmo Post justificando seu voto no livro de Valeria. “Valeria Luiselli é apenas muito melhor”, arriscou o jornalista Jeffrey Zuckerman em relação ao Noturno do Chile. “Essa é a voz de um mestre em treinamento”, disse o editor Will Evans, antes de depositar seu voto para a escritora.

Porém, a força da literatura de Bolaño prevaleceu. “Um sábio homem que conheci escreveu outro dia: ‘Bolaño sempre vence’, e eu tenho que concordar. Sim, ele sempre vence”, escreveu Katrine Jensen.

No Brasil, a obra de Roberto Bolaño é publicada pela Companhia das Letras. Entre os seus livros mais célebres, estão 2666 e Os Detetives Selvagens, além de Noturno do Chile – para 2015, a editora prepara a publicação de El Gaucho Insufrible, reunião de contos publicados postumamente. Rostos na Multidão, de Valeria Luiselli, foi publicado por aqui pela editora Alfaguara, com tradução de Maria Alzira Brum Lemos.

Bolaño morreu há exatamente 11 anos, no dia 15 de julho de 2003, em decorrência de problemas no fígado.

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