Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Republicano se promove atacando livro de ganhadora do Nobel sobre escravidão nos EUA

Glenn Youngkin critica uso de 'Amada', de Toni Morrison, em escolas da Virgínia

AFP, Agência

31 de outubro de 2021 | 12h33

Um republicano nos Estados Unidos está ganhando popularidade ao atacar o romance sobre a escravidão Amada, de Toni Morrison, uma autora negra ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura, enquanto conservadores em todo o país acusam as escolas de promover um ensino que culpa os brancos.

Os ataques parecem estar dando resultados para Glenn Youngkin, um rico empresário que concorre na terça-feira ao governo do estado da Virgínia contra o ex-governador democrata Terry McAuliffe.

Youngkin concentra seus ataques a McAuliffe em torno de um caso envolvendo o uso do livro Amada em escolas da Virgínia.

Baseada em fatos reais, a obra conta a história de uma ex-escrava de meados do século XIX que decide matar sua filha para que ela também não seja escravizada.

O celebrado livro lançado em 1987, vencedor do Prêmio Pulitzer, foi transformado em filme em 1998, estrelado por Oprah Winfrey. A escritora também recebeu o Nobel de Literatura em 1993.

Em seu retrato dos horrores da escravidão, Morrison usa representações gráficas de sexo e violência.

Assim, em 2013, uma mulher branca da Virgínia, Laura Murphy, iniciou uma longa batalha contra a inclusão deste livro nas aulas, dizendo que o mesmo havia provocado pesadelos em seu filho.

Murphy ajudou a persuadir o legislativo do estado a aprovar uma lei que daria aos pais o direito de excluir das tarefas de seus filhos as leituras que considerassem sexualmente explícitas.

McAuliffe, que era governador, vetou o projeto de lei e outro semelhante, por considerá-los um ataque à liberdade de expressão.

Youngkin está aproveitando esse episódio para promover sua candidatura ao apresentar Laura Murphy em um anúncio muito visto na semana final da dura campanha eleitoral.

A Virgínia teve uma inclinação democrata nas últimas eleições, mas Youngkin e os republicanos estão mobilizando eleitores indignados com as restrições relacionadas à covid-19 e com as reportagens, em destaque na mídia conservadora, que questionam o ensino da chamada "teoria crítica da raça".

Essa abordagem de ensino da história americana, que propõe que o racismo está incrustado no sistema legal, gerou um debate acirrado em todo o país.

Ela não está no currículo escolar da Virgínia, mas Youngkin é aplaudido quando promete bani-la, de acordo com o The Washington Post.

A campanha de McAuliffe a rechaça como uma tentativa de alimentar as "guerras culturais" que dividem o país.

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